Amigos cabanos de hoje, vejam só que boa notícia! O Pe. Edilberto Sena resolveu não esperar mais que o poder público inaugure um monumento, praça ou rua com nome dos cabanos. Ele mesmo e sua irmã Enoy Sena vão inaugurar uma estátua de homenagem aos cabanos bem em frente a casa deles, em Santarém (Pará). O autor da escultura é o conhecido artista Apolinário.
E nós que estamos aqui perto devemos estar lá com nossa galera e o maior número possível de guerreiros(as), para fazer bonito. Desde já, muita divulgação!!!! Corramos para o facebook, Orkut, listas, telefone, conversa ao vivo etc. Afinal, já será neste fim de semana.
O que? Inauguração da estátua de homenagem aos patriotas cabanos
Quando? 22/01/2012 (domingo)
Local: Residencia do Pe. Edilberto e da Enoy Sena, Trav. Assis de Vasconcelos, N. 432 (próximo da Av. Rui Barbosa) – Bairro da Aldeia
Que horas? Às 09:30 hs (manhã)
Obs. A festa é da partilha cabana. Por isso, cada um leve um pouco de suco, café ou pão ou bolacha (beijus e tarubá serão muito bem vindos), para a partilha ritual cabana. E de animação, levem tambores, fogos de artifício, megafone, faixas e os sempre presentes chapéus de palha e blusa ou vestido vermelho.
Todos à inauguração da estátua dos cabanos!!!!! A gente se vê lá.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Uma ótica sobre o II Encontro da Cabanagem em Cuipiranga - Santarém, 06-08/01/12
| Wilverson Rodrigo S. de Melo - Pesq. de História da Amazônia |
A chegada dos caravanistas na comunidade de Cuipiranga - último reduto organizado de resistência cabana no Grão-Pará - foi marcada por uma recepção dos comunitários com a manifestação cultural do Marambiré e posteriormente seguimos para apresentações e interações com os residentes da comunidade no barracão comunitário.
A tarde deu-se início as discussões e provocações quanto a Revolução Cabana entre a comitiva caravanista juntamente com a comunidade. Na ocasião foram levantados muitos questionamentos tais como: a participação da mulher na Cabanagem; as andanças do Cônego Batista Campos pelo Baixo Amazonas; implicações desta revolução com a matriz de identidade amazônida; quais as relações do retrospecto histórico cabano com as lutas dos amazônidas na atualidade. Todos estes temas alimentaram um proveitoso debate e roda de conversa com respeito a Guerra da Cabanagem, tornando-se um momento ímpar deste Encontro.
Ao cair da noite, fora exibido na comunidade dois filmes documentários de curta duração: "Caravana da Memória Cabana" imagens de Florêncio Vaz e edição de Ramom; e "Memórias cabanas" do cinegrafista santareno Clodoaldo Corrêa... na ocasião, a própria comunidade pode vislumbrar-se como protagonista deste acontecimento histórico.
Toda a mística em rememorar os acontecimentos e a luta dos cabanos está no sentido de honrar suas lutas e seus sacrifícios em prol de um ideal e melhoria de vida de suas gerações futuras - nós -, como a passagem bíblica em 2 Timóteo 4:7, menciona "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé"...estes nossos antepassados cabanos travaram sangrentos combates, morreram pela causa, agora cabe a cada um de nós perpassar essas memórias e militar em favor de melhorias de vida de nosso povo contra a política neoliberal que tenta dizimar a cultura e identidade amazônida por meio da opressão cultural e subalternidade da dignidade do povo da Amazônia.
Há muito tempo o silêncio paira sobre o ecossistema amazônico, chegou o momento de descortinarmos os fatos e acontecimentos esquecidos, suplantados e ocultados a sociedade brasileira, especificamente a amazônida, pois tão certo como torna-se um delito grave tirar a vida de alguém, muito mais grave é manter o exímio esquecimento de nossa história e de seus mártires, pois um povo sem memórias é um povo sem história, logo torna-se um povo apático, alienado quanto a sua origem.
Então precisamos focar nossa visão no futuro, pois é certo que "ao visitar o futuro percebemos que este é perfeito e agradável;no entanto, para que permaneça assim, faz-se necessário saber de onde viemos, cultivar o nosso presente para então projetar este tão sonhado e simétrico futuro" (Wilverson Rodrigo S. de Melo - pesquisador de história da Amazônia).
Este é o momento de fazermos a diferença, de nos impormos e tentar se não reescrever ao menos ressignificar nossa história.... Saiamos do comodismo e tornemo-nos protagonistas de nossa história, que céus e terra sejam nossos testemunhos, que o tempo seja nosso papel e nossas atitudes e ações o tinteiro responsável por escrever no tempo o memorial de nossa vida, "pois o homem é filho de seu tempo". (BLOCH, Marc. Apologia da História ou ofício do Historiador).
VIVA A CABANAGEM!!!
A REVOLUÇÃO CABANA NÃO MORREU, NÓS SOMOS OS NOVOS CABANOS!!
MAIS FOTOS DE CUIPIRANGA NO II ENCONTRO
A mística no dia 7 de janeiro antes da Caminhada dos Cabanos.Veja outras fotos, de Paulo Miranda:
https://plus.google.com/photos/104303221276380810660/albums/5696023600878876241#photos/104303221276380810660/albums/5696023600878876241
https://plus.google.com/photos/104303221276380810660/albums/5696023600878876241#photos/104303221276380810660/albums/5696023600878876241
ALGUMAS IMPRESSÕES DO II ENCONTRO
Aqueles que estiveram em Cuipiranga neste final de semana são testemunhas de que a Cabanagem realmente não acabou. Continua bem viva na memória, na vontade e na prática política da nossa gente. Por isso o II Encontro da Cabanagem foi um sucesso, que aponta para outros desdobramentos. Afinal, os participantes saíram dali já planejando “o próximo ano”. Quero destacar alguns pontos da vasta programação do evento.
A folia do Marambiré – A comitiva que foi de Santarém já foi recebida na praia pelos cantores e tocadores dessa antiga tradição, hoje presente em poucas comunidades. As bandeiras vermelha e branca no meio daquela paisagem dominada pelo rio, pela areia e pelo verde da mata chamavam a atenção, entre muitos outros símbolos que começam a aparecer por todos os lados. Os mesmos senhores do Marambiré animaram a levantação e a derrubada do mastro, momentos muito solenes e festivos. Na Amazônia, marcam, respectivamente, o início e o término da festa de um santo. Em Cuipiranga, festejávamos a santíssima Trindade.
A Caminhada dos Cabanos – Saiu de Cuipiranga (rio Tapajós) e foi até Guajará e Vila Amazonas (no rio Amazonas), percorrendo cerca de 7 km. Além dos mais jovens de Santarém e Cuipiranga, havia alguns idosos, como o Seu Magno (popularmente conhecido como “Galo”), com quase 80 anos, pisando firme o chão por onde passaram seus antepassados. Os caminhantes iam quase todos vestidos de vermelho e usando chapéus de palha. Por onde passávamos íamos “soltando pistola” (fogos de artifício), a marca das festas no interior do Pará. Era algo realmente bonito. O momento da mística antes da saída, bem no meio da praia (areia vermelha) nos lembrou o sentido do vermelho (sangue), quando as pessoas ficaram ao redor de uma enorme bandeira vermelha, segurando as suas bordas. Havia evangélico, católico, pessoas sem religião, todos rezando a mesma fé. Do lado do Amazonas fomos recebidos com cânticos, sorrisos, sucos, água, bolachas, peixe assado e cozido etc. Essa Caminhada parece que vai ficar como uma romaria anual tradicional. Marque logo na sua agenda, dia 7 de janeiro de 2013: a Marcha dos Cabanos em Cuipiranga!
A Homenagem aos Mortos – A visita ao cemitério de Cuipiranga de fato acabou se constituindo o momento mais emocionante de todos os três dias. O local fica em cima de um pequeno morro ou ribanceira, com uma bonita vista para o rio. Todos subiram a escada, guiados por pessoas que levavam a bandeira vermelha e faixa, enquanto cantavam hinos das comunidades de base da Igreja. Lá em cima, houve a saudação ao cruzeiro com água de cheiro, a iluminação com velas (como se fosse o Dia dos Mortos), as orações e os cânticos puxados pelas nativas mais idosas, palavras de ordem, fogos de artifício pipocando... tudo foi muito forte. Os moradores falavam que aquelas almas estavam felizes porque estavam sendo lembradas. E eu pensei que estavam mesmo.
As sessões de filmes – Durante as noites houve a apresentação de “Memórias Cabanas”, documentários que mostra moradores mais velhos da região falando sobre a Cabanagem, e ainda um filme com os melhores momentos do encontro de 2011. Ali estávamos devolvendo às pessoas as suas próprias imagens e falas. E elas gostam de se ver na tela. Sentem-se orgulhosas com isso. É interessante como o vídeo tem esse poder de fazer as pessoas se verem diferentes, mais bonitas. Talvez se imaginam na televisão, como artistas, saindo do anonimato. Alguns pedem copias dos filmes para mandar para parentes em Santarém e Manaus. A estreia de “O Cônego” lotou o espaço do barracão onde acontecia o Encontro. A recriação do contexto da Cabanagem, com personagens mostrando suas emoções, sonhos e disposição para a guerra, serviu ainda mais para essa “viagem de volta” ao tempo dos cabanos.
Como eu falei, estes foram só alguns momentos. Mas teve jogo de futebol masculino e feminino, muito banho de rio, galinha caipira, piracaia (comida coletiva na praia), tarubá, caxiri, cerveja, carimbo animado pela nossa querida Cristina Caetano, amizade, namoro etc.
Prof.Dr. Frei Florêncio Almeida Vaz
(Coordenador do Proj. Memórias da Cabanagem - PAA/ICS/UFOPA)
A folia do Marambiré – A comitiva que foi de Santarém já foi recebida na praia pelos cantores e tocadores dessa antiga tradição, hoje presente em poucas comunidades. As bandeiras vermelha e branca no meio daquela paisagem dominada pelo rio, pela areia e pelo verde da mata chamavam a atenção, entre muitos outros símbolos que começam a aparecer por todos os lados. Os mesmos senhores do Marambiré animaram a levantação e a derrubada do mastro, momentos muito solenes e festivos. Na Amazônia, marcam, respectivamente, o início e o término da festa de um santo. Em Cuipiranga, festejávamos a santíssima Trindade.
A Caminhada dos Cabanos – Saiu de Cuipiranga (rio Tapajós) e foi até Guajará e Vila Amazonas (no rio Amazonas), percorrendo cerca de 7 km. Além dos mais jovens de Santarém e Cuipiranga, havia alguns idosos, como o Seu Magno (popularmente conhecido como “Galo”), com quase 80 anos, pisando firme o chão por onde passaram seus antepassados. Os caminhantes iam quase todos vestidos de vermelho e usando chapéus de palha. Por onde passávamos íamos “soltando pistola” (fogos de artifício), a marca das festas no interior do Pará. Era algo realmente bonito. O momento da mística antes da saída, bem no meio da praia (areia vermelha) nos lembrou o sentido do vermelho (sangue), quando as pessoas ficaram ao redor de uma enorme bandeira vermelha, segurando as suas bordas. Havia evangélico, católico, pessoas sem religião, todos rezando a mesma fé. Do lado do Amazonas fomos recebidos com cânticos, sorrisos, sucos, água, bolachas, peixe assado e cozido etc. Essa Caminhada parece que vai ficar como uma romaria anual tradicional. Marque logo na sua agenda, dia 7 de janeiro de 2013: a Marcha dos Cabanos em Cuipiranga!
A Homenagem aos Mortos – A visita ao cemitério de Cuipiranga de fato acabou se constituindo o momento mais emocionante de todos os três dias. O local fica em cima de um pequeno morro ou ribanceira, com uma bonita vista para o rio. Todos subiram a escada, guiados por pessoas que levavam a bandeira vermelha e faixa, enquanto cantavam hinos das comunidades de base da Igreja. Lá em cima, houve a saudação ao cruzeiro com água de cheiro, a iluminação com velas (como se fosse o Dia dos Mortos), as orações e os cânticos puxados pelas nativas mais idosas, palavras de ordem, fogos de artifício pipocando... tudo foi muito forte. Os moradores falavam que aquelas almas estavam felizes porque estavam sendo lembradas. E eu pensei que estavam mesmo.
As sessões de filmes – Durante as noites houve a apresentação de “Memórias Cabanas”, documentários que mostra moradores mais velhos da região falando sobre a Cabanagem, e ainda um filme com os melhores momentos do encontro de 2011. Ali estávamos devolvendo às pessoas as suas próprias imagens e falas. E elas gostam de se ver na tela. Sentem-se orgulhosas com isso. É interessante como o vídeo tem esse poder de fazer as pessoas se verem diferentes, mais bonitas. Talvez se imaginam na televisão, como artistas, saindo do anonimato. Alguns pedem copias dos filmes para mandar para parentes em Santarém e Manaus. A estreia de “O Cônego” lotou o espaço do barracão onde acontecia o Encontro. A recriação do contexto da Cabanagem, com personagens mostrando suas emoções, sonhos e disposição para a guerra, serviu ainda mais para essa “viagem de volta” ao tempo dos cabanos.
Como eu falei, estes foram só alguns momentos. Mas teve jogo de futebol masculino e feminino, muito banho de rio, galinha caipira, piracaia (comida coletiva na praia), tarubá, caxiri, cerveja, carimbo animado pela nossa querida Cristina Caetano, amizade, namoro etc.
Prof.Dr. Frei Florêncio Almeida Vaz
(Coordenador do Proj. Memórias da Cabanagem - PAA/ICS/UFOPA)
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
ALGUÉM MORREU EM CUIPIRANGA
José Ribamar Bessa Freire
08/01/2012 - Diário do Amazonas
Quem é que morreu em Cuipiranga? Foi algum cuipiranguense ilustre? Por que o cemitério dessa modesta comunidade ribeirinha está lotado com tanta gente nesta manhã de domingo, 8 de janeiro de 2012? Eram previstas 250 a 300 pessoas que sairiam às 8h00 caminhando pelo trapiche. Quantas vieram? Quem são elas? Por que desfilam, tão compenetradas, entre covas, tumbas e jazigos? Onde vão depositar as coroas de flores que carregam? De quem é, afinal, o velório? Qual o objetivo dessa romaria fúnebre? Aliás, pra começo de conversa, alguém aí, por favor, sabe me informar onde é mesmo que fica Cuipiranga?
A última pergunta pode ser esclarecida imediatamente. Cuipiranga tem um lugar reservado no mapa paisagístico, histórico e afetivo do Pará. Geograficamente, está situada numa língua de terra entre os rios Tapajós e Amazonas, quase em frente à Santarém. As questões sobre cemitério, morte e velório, porém, só podem ser respondidas se soubermos quem são os integrantes da romaria e o que fizeram juntos, ali, nos dias anteriores à visita ao cemitério.
Eles são moradores de Cuipiranga e das comunidades vizinhas, ribeirinhos, pescadores, artesãos, trabalhadores rurais, além de estudantes e professores da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPa), alguns cineastas, antropólogos e historiadores vindos de São Paulo, de Belém, de Santarém.
Durante três dias, essas pessoas compartilharam um conjunto de atividades. No primeiro dia, levantaram o mastro da festa, celebraram cerimônia religiosa na praia e dançaram o marambiré, uma versão da folia de reis, com coreografia de passos bem marcados, na qual são apresentados vários personagens: o Rei Congo, vestido de branco, casaco adornado com talabarte de couro escuro e botas com enfeites de prata; a Rainha Mestra trajando vestido comprido, de seda em tons dourados, todo bordado; os vassalos-homens com calça comprida preta e as mulheres com vestido estampado.
Continue lendo: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=954
08/01/2012 - Diário do Amazonas
Quem é que morreu em Cuipiranga? Foi algum cuipiranguense ilustre? Por que o cemitério dessa modesta comunidade ribeirinha está lotado com tanta gente nesta manhã de domingo, 8 de janeiro de 2012? Eram previstas 250 a 300 pessoas que sairiam às 8h00 caminhando pelo trapiche. Quantas vieram? Quem são elas? Por que desfilam, tão compenetradas, entre covas, tumbas e jazigos? Onde vão depositar as coroas de flores que carregam? De quem é, afinal, o velório? Qual o objetivo dessa romaria fúnebre? Aliás, pra começo de conversa, alguém aí, por favor, sabe me informar onde é mesmo que fica Cuipiranga?
A última pergunta pode ser esclarecida imediatamente. Cuipiranga tem um lugar reservado no mapa paisagístico, histórico e afetivo do Pará. Geograficamente, está situada numa língua de terra entre os rios Tapajós e Amazonas, quase em frente à Santarém. As questões sobre cemitério, morte e velório, porém, só podem ser respondidas se soubermos quem são os integrantes da romaria e o que fizeram juntos, ali, nos dias anteriores à visita ao cemitério.
Eles são moradores de Cuipiranga e das comunidades vizinhas, ribeirinhos, pescadores, artesãos, trabalhadores rurais, além de estudantes e professores da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPa), alguns cineastas, antropólogos e historiadores vindos de São Paulo, de Belém, de Santarém.
Durante três dias, essas pessoas compartilharam um conjunto de atividades. No primeiro dia, levantaram o mastro da festa, celebraram cerimônia religiosa na praia e dançaram o marambiré, uma versão da folia de reis, com coreografia de passos bem marcados, na qual são apresentados vários personagens: o Rei Congo, vestido de branco, casaco adornado com talabarte de couro escuro e botas com enfeites de prata; a Rainha Mestra trajando vestido comprido, de seda em tons dourados, todo bordado; os vassalos-homens com calça comprida preta e as mulheres com vestido estampado.
Continue lendo: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=954
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Um olhar nativo e historiográfico do II Encontro da Cabanagem
Em comparação a outros movimentos regenciais, nota-se quão esquecida e alienada é a Cabanagem para os alunos nas escolas e para a população do Brasil, de um modo geral. Tornando-se isso propositalmente, nada mais do que a imposição da ignorância e do obscurecimento desse movimento ao povo do Brasil, haja vista que, seu caráter revolucionário-popular fundamentado nos ideais da Revolução Francesa fora capaz de depor governantes, intimidar um Império, organizar-se não apenas enquanto insurreição, mas sim como uma “revolução” que tomara de forma efetiva o poder na Província do Grão-Pará. Daí o temor de tomar este movimento como símbolo ou marco histórico de um Brasil Pós-Independência, pois se a Farroupilha - Também uma revolta do período regencial - já virara Minissérie na televisão brasileira, a Cabanagem nem sequer ganhou espaço e difusão na região do ocorrido – antigo Grão-Pará e atual Região Norte do país -, o que por si só denota o exímio esquecimento.
Vale ressaltar que desde a “Evolução Política do Brasil (1933)”, os estudos antropológicos e historiográficos caracterizam a Guerra da Cabanagem como uma das, senão a principal revolução política ocorrida no Brasil, em toda sua História após 1822. Muito além, o antropólogo inglês David Cleary apud MAHALEM DE LIMA (2008, p. 294), destacou no ano de 1998, que ela deve ser pensada como uma das maiores e mais abrangentes revoluções políticas de todo o Novo Mundo.
Por tudo isto, esperasse como muita expectativa que este II Encontro fundamente-se nas premissas de dar voz e vez aos documentos, relatos e memórias dos descendentes dos cabanos, no intuito de fazer uma releitura dos pequenos traços dessa revolta popular sob a ótica da Micro-História, haja vista que estes delineamentos também buscam auxílio na história escrita por Vicente Salles no livro “O Negro na formação da Sociedade Paraense”, em que o autor procura escrever a história defendida por Michelet, “a história daqueles que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos”.
Todavia, fato é, que ainda há muito a ser estudado sobre a Guerra da Cabanagem, sobre o seu palco de conflitos, sobre como se denominavam e qual era a ideologia dos cabanos, todavia é um massacre que a história daqueles que foram suplantados permaneça sepultada e caia no esquecimento perpétuo. Deve-se dar vez e voz aos descendentes das muitas vozes que se calaram e dos muitos corpos que jorraram sangue, na perspectiva de reescrever a história da cabanagem sob a ótica dos vencidos, desmistificando a historiografia tradicional que até hoje permeia nos livros e nas histórias disseminadas pelos discursos político-partidários.
Se a Revolução Francesa, a Revolução Inglesa e a Revolução Russa até hoje são cultuadas e idolatradas, porque não, dar a tamanha importância e enfoque a uma das maiores – se não a maior – Revolução do continente Americano: a Revolução Cabana.
¹Pesquisador de História da Amazônia e Co-coordenador do II Encontro da Cabanagem
w.rodrigohistoriador@bol.com.br
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
ATENÇÃO, A VIAGEM JÁ VAI COMEÇAR
Estamos a poucas horas da viagem, e tudo indica que ela vai ser um sucesso. Graças inicialmente ao pequeno, mas aguerrido, grupo dos estudantes universitários do Projeto Memórias da Cabanagem. Todos voluntários, é importante frisar. Nossos sentimentos neste momento só podem ser de profunda gratidão a todas e a cada uma das pessoas que nos apoiaram no patrocínio. De modo especial, obrigado ao SINTEPP (Sindicato dos Trabalhadores de Educação Pública do Estado do Pará) pela decisiva ajuda no frete do barco; ao Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) pela passagem do ator José Jorge de Lana; à Prefeitura Municipal de Santarém pela passagem do diretor Paulo Miranda (ambas no trecho Blm-Stm-Blm) e ao vereador Carlos Jaime (PT) pelo ajuda em combustível e alimentos.
É claro que houve muitos Não, porém, o que mais nos alegra é que houve muitos Sim. Desde a generosidade daqueles que deram dois quilos de arroz, açúcar e farinha de mandioca, aos que mesmo sem poder participar da viagem doaram R$50,00. A soma desses gestos é que está fazendo o nosso sonho acontecer. É o sonho cabano de ontem e de hoje, da partilha e da solidariedade. Somos gratos igualmente pelo pacote de bolacha e pela passagem aérea. Estamos certos que os espíritos dos cabanos(as) também estão contentes e nos mandam luz, saúde, força. Que Deus Pai-e-Mãe retribua a todos(as) pelo apoio e que faça seus sonhos vingarem neste ano de 2012
É claro que houve muitos Não, porém, o que mais nos alegra é que houve muitos Sim. Desde a generosidade daqueles que deram dois quilos de arroz, açúcar e farinha de mandioca, aos que mesmo sem poder participar da viagem doaram R$50,00. A soma desses gestos é que está fazendo o nosso sonho acontecer. É o sonho cabano de ontem e de hoje, da partilha e da solidariedade. Somos gratos igualmente pelo pacote de bolacha e pela passagem aérea. Estamos certos que os espíritos dos cabanos(as) também estão contentes e nos mandam luz, saúde, força. Que Deus Pai-e-Mãe retribua a todos(as) pelo apoio e que faça seus sonhos vingarem neste ano de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
A CAMINHO DO II ENCONTRO DA CABANAGEM
Cuipiranga (Santarém - PA), 06-08/01/2012
Pelo segundo ano consecutivo, a pequena comunidade de Cuipiranga, às margens do rio Tapajós, quase em frente de Santarém, será palco de um evento voltado à história e à memória da Cabanagem. Trata-se do II Encontro da Cabanagem, que acontecerá entre os dias 06 e 08 de janeiro, e que é uma iniciativa da Associação dos Moradores de Cuipiranga, com apoio do “Projeto Memórias da Cabanagem” (Programa de Antropologia e Arqueologia/PAA/ICS/UFOPA), DCE-UFOPA, SINTEPP, Prefeitura Municipal de Santarém, Dep. Edmilson Rodrigues, Ver. Carlos Jaime e Radio Rural, entre outros.
O objetivo do II Encontro, do mesmo jeito que o daquele que aconteceu em janeiro de 2011, é valorizar e celebrar a memória e a atualidade da luta dos cabanos, no lugar onde tiveram o seu mais resistente acampamento no Baixo Amazonas, e onde até hoje os moradores e descendentes lutam pelos seus direitos. Fazem parte da programação, além dos debates, piracaia, caminhada, levantação de mastro, folia do Marambiré, celebrações religiosas e homenagens aos mortos na guerra.
Toda essa mobilização tem à frente o antropólogo, frade franciscano e professor na UFOPA Florêncio Almeida Vaz, que atualmente coordena o Projeto Memórias da Cabanagem, onde estudantes e professores pesquisam a história da Cabanagem nos livros e recolhem as lembranças dos moradores sobre o período da guerra. A adesão dos estudantes universitários tem sido fundamental para o sucesso da iniciativa.
O resultado tem aparecido na forma de documentários em vídeo e textos, que são devolvidos aos comunitários através de encontros e debates. Os moradores parecem gostar, pois estes encontros sempre reúnem um significativo número de pessoas que querem contar e escutar histórias sobre a Cabanagem, e que querem se ver também nos filmes produzidos na região.
O primeiro momento deste processo foi a Caravana da Memória Cabana, um grupo de aproximadamente 20 pessoas, que no fim de maio de 2010 reuniu jornalistas, antropólogos, fotógrafos, cineastas e estudantes, e percorreu 10 comunidades no Baixo Tapajós. As 40 horas de gravação de imagens, com as memórias de 80 moradores, já resultaram em dois documentários: “Cuipiranga”, de Cristiano Burlan, lançado no I Encontro há um ano, e “Memórias Cabanas” de Clodoaldo Correa, que será lançado no dia 06 de janeiro em Cuipiranga, durante o II Encontro. Aguarda-se para breve um romance da antropóloga paulista Deborah Goldemberg, que junto com o Prof. Florêncio Vaz coordenou a Caravana da Memória Cabana. Outros artigos, dissertações e teses estão a caminho.
Os interessados em participar da Caravana que sairá de Santarém na manhã do dia 06/01/2012, devem reservar sua vaga URGENTEMENTE:
Prof. Dr. Florêncio Almeida Vaz – UFOPA
Coordenador do Projeto Memórias da Cabanagem
florenciovaz@uol.com.br Tel. (093)9184-4900
Pelo segundo ano consecutivo, a pequena comunidade de Cuipiranga, às margens do rio Tapajós, quase em frente de Santarém, será palco de um evento voltado à história e à memória da Cabanagem. Trata-se do II Encontro da Cabanagem, que acontecerá entre os dias 06 e 08 de janeiro, e que é uma iniciativa da Associação dos Moradores de Cuipiranga, com apoio do “Projeto Memórias da Cabanagem” (Programa de Antropologia e Arqueologia/PAA/ICS/UFOPA), DCE-UFOPA, SINTEPP, Prefeitura Municipal de Santarém, Dep. Edmilson Rodrigues, Ver. Carlos Jaime e Radio Rural, entre outros.
O objetivo do II Encontro, do mesmo jeito que o daquele que aconteceu em janeiro de 2011, é valorizar e celebrar a memória e a atualidade da luta dos cabanos, no lugar onde tiveram o seu mais resistente acampamento no Baixo Amazonas, e onde até hoje os moradores e descendentes lutam pelos seus direitos. Fazem parte da programação, além dos debates, piracaia, caminhada, levantação de mastro, folia do Marambiré, celebrações religiosas e homenagens aos mortos na guerra.
Toda essa mobilização tem à frente o antropólogo, frade franciscano e professor na UFOPA Florêncio Almeida Vaz, que atualmente coordena o Projeto Memórias da Cabanagem, onde estudantes e professores pesquisam a história da Cabanagem nos livros e recolhem as lembranças dos moradores sobre o período da guerra. A adesão dos estudantes universitários tem sido fundamental para o sucesso da iniciativa.
O resultado tem aparecido na forma de documentários em vídeo e textos, que são devolvidos aos comunitários através de encontros e debates. Os moradores parecem gostar, pois estes encontros sempre reúnem um significativo número de pessoas que querem contar e escutar histórias sobre a Cabanagem, e que querem se ver também nos filmes produzidos na região.
O primeiro momento deste processo foi a Caravana da Memória Cabana, um grupo de aproximadamente 20 pessoas, que no fim de maio de 2010 reuniu jornalistas, antropólogos, fotógrafos, cineastas e estudantes, e percorreu 10 comunidades no Baixo Tapajós. As 40 horas de gravação de imagens, com as memórias de 80 moradores, já resultaram em dois documentários: “Cuipiranga”, de Cristiano Burlan, lançado no I Encontro há um ano, e “Memórias Cabanas” de Clodoaldo Correa, que será lançado no dia 06 de janeiro em Cuipiranga, durante o II Encontro. Aguarda-se para breve um romance da antropóloga paulista Deborah Goldemberg, que junto com o Prof. Florêncio Vaz coordenou a Caravana da Memória Cabana. Outros artigos, dissertações e teses estão a caminho.
Os interessados em participar da Caravana que sairá de Santarém na manhã do dia 06/01/2012, devem reservar sua vaga URGENTEMENTE:
Prof. Dr. Florêncio Almeida Vaz – UFOPA
Coordenador do Projeto Memórias da Cabanagem
florenciovaz@uol.com.br Tel. (093)9184-4900
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
“O CÔNEGO” E PAULO MIRANDA EM CUIPIRANGA E SANTARÉM
Um dos maiores destaques do II Encontro da Cabanagem será a presença do cineasta Paulo Miranda, de Belém, que vai lançar seu filme O CÔNEGO, que conta a história do Padre Batista Campos, figura central na primeira fase da Cabanagem. O filme, que será mostrado em Cuipiranga na noite do dia 7 de janeiro, foi lançado na capital faz poucos meses. Paulo Miranda vem acompanhado do ator José Jorge de Lana. Também pela primeira vez o filme vai ser apresentado em Santarém, no dia 9 de janeiro, em local e horário a ser anunciado ainda. A vinda Paulo Miranda tem o patrocínio da Prefeitura Municipal de Santarém, enquanto o Dep. Estadual Edmilson Rodrigues patrocina a vinda de José Jorge de Lana.
É muito significativo que o filme seja mostrado primeiramente aos humildes ribeirinhos de Cuipiranga e arredores, os descendentes dos cabanos que lutaram ali há 177 anos. É a junção da sua memória histórica com uma rara versão cinematográfica da mesma Cabanagem. Sem contar que o próprio Padre Batista Campos passou por Óbidos, Vila Franca, Alter do Chão e Santarém em 1831, três anos antes de ser morto nas matas do Acará, perto de Belém. Então, de alguma forma, ele volta às terras por onde passou pregando o levante contra a tirania e pela libertação.
Além do longa metragem "O Cônego", será lançado em Cuipiranga o documentário "Memórias Cabanas", do cineasta santareno Clodoaldo Correa, com relatos dos moradores de comunidades do rio Tapajós e quilombolas sobre a memória que as pessoas guardam dos tempos da Cabanagem. Essa obra vem se juntar a "Cuipiranga", o primeiro documentário lançado no rastro da iniciativa “Caravana Cabana” (maio de 2010), coordenada pelos antropólogos Deborah Goldemberg e Florêncio Vaz.
Mais informações sobre o filme O CÔNEGO:
http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&codigo=545098
http://www.youtube.com/watch?v=mEmw2qKjfMs (fotos do filme)
http://www.youtube.com/watch?v=bTJozIEvuds (chamada do filme)
É muito significativo que o filme seja mostrado primeiramente aos humildes ribeirinhos de Cuipiranga e arredores, os descendentes dos cabanos que lutaram ali há 177 anos. É a junção da sua memória histórica com uma rara versão cinematográfica da mesma Cabanagem. Sem contar que o próprio Padre Batista Campos passou por Óbidos, Vila Franca, Alter do Chão e Santarém em 1831, três anos antes de ser morto nas matas do Acará, perto de Belém. Então, de alguma forma, ele volta às terras por onde passou pregando o levante contra a tirania e pela libertação.
Além do longa metragem "O Cônego", será lançado em Cuipiranga o documentário "Memórias Cabanas", do cineasta santareno Clodoaldo Correa, com relatos dos moradores de comunidades do rio Tapajós e quilombolas sobre a memória que as pessoas guardam dos tempos da Cabanagem. Essa obra vem se juntar a "Cuipiranga", o primeiro documentário lançado no rastro da iniciativa “Caravana Cabana” (maio de 2010), coordenada pelos antropólogos Deborah Goldemberg e Florêncio Vaz.
Mais informações sobre o filme O CÔNEGO:
http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&codigo=545098
http://www.youtube.com/watch?v=mEmw2qKjfMs (fotos do filme)
http://www.youtube.com/watch?v=bTJozIEvuds (chamada do filme)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
PLACA DE HOMENAGEM AOS CABANOS NO CEMITÉRIO DE CUIPIRANGA
DEIXADA DURANTE O I ENCONTRO DA CABANAGEM
Os dizeres são:
175 ANOS DA CABANAGEM
“Ainda que os pés pisem mil anos neste lugar
Não apagarão o sangue dos que aqui caíram
E não se extinguirá a hora em que caístes
Ainda que mil vozes cruzem este silêncio”.
(Pablo Neruda)
Nesta terra vermelha, nós cidadãos(ãs) amazônidas nos reunimos,
Para fazer memória da luta daqueles
Que aqui se levantaram contra a opressão
E ousaram decidir os seus próprios destinos
Este ideal é a nossa herança.
Cuipiranga, 07.09.2011
Obs. O trecho original de Neruda é:
“Aunque los pasos toquen mil años este sitio
No borrarán La sangre de los que cayeron
Y no se extinguirá La hora em que caisteis
Aunque miles de voces crucen este silencio”
Está na “Homenagem aos Mártires do Estádio do Chile”, deixada em 30/04/1990 pela Coordenação Nacional das Organizações pelos Direitos Humanos, em Santiago do Chile. Calcula-se que 3.000 mil pessoas foram presas, torturadas e mortas naquele local nos dias que se seguiram ao Golpe de Estado de 11 de setembro de 1973.
Calcula-se que foram mortas 40 mil pessoas na Amazônia durante a Cabanagem. Algumas das vítimas pertenciam a classe alta ou média: eram portugueses ou seus descendentes. Porém, a massa dos torturados e assassinados era composta principalmente de indígenas, negros, mestiços e brancos empobrecidos. O que disse Neruda faz muito sentido aqui, como também em toda esta vasta Nossa América Latina.
Os dizeres são:
175 ANOS DA CABANAGEM
“Ainda que os pés pisem mil anos neste lugar
Não apagarão o sangue dos que aqui caíram
E não se extinguirá a hora em que caístes
Ainda que mil vozes cruzem este silêncio”.
(Pablo Neruda)
Nesta terra vermelha, nós cidadãos(ãs) amazônidas nos reunimos,
Para fazer memória da luta daqueles
Que aqui se levantaram contra a opressão
E ousaram decidir os seus próprios destinos
Este ideal é a nossa herança.
Cuipiranga, 07.09.2011
Obs. O trecho original de Neruda é:
“Aunque los pasos toquen mil años este sitio
No borrarán La sangre de los que cayeron
Y no se extinguirá La hora em que caisteis
Aunque miles de voces crucen este silencio”
Está na “Homenagem aos Mártires do Estádio do Chile”, deixada em 30/04/1990 pela Coordenação Nacional das Organizações pelos Direitos Humanos, em Santiago do Chile. Calcula-se que 3.000 mil pessoas foram presas, torturadas e mortas naquele local nos dias que se seguiram ao Golpe de Estado de 11 de setembro de 1973.
Calcula-se que foram mortas 40 mil pessoas na Amazônia durante a Cabanagem. Algumas das vítimas pertenciam a classe alta ou média: eram portugueses ou seus descendentes. Porém, a massa dos torturados e assassinados era composta principalmente de indígenas, negros, mestiços e brancos empobrecidos. O que disse Neruda faz muito sentido aqui, como também em toda esta vasta Nossa América Latina.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
A CABANAGEM CONTINUA: RUMO AO II ENCONTRO DE CUIPIRANGA
II ENCONTRO DA CABANAGEM
Cuipiranga (Santarém - PA), 06-08/01/2012
Iniciativa da Associação dos Moradores de Cuipiranga, com apoio do “Projeto Memórias da Cabanagem” (Programa de Antropologia e Arqueologia/PAA/ICS/UFOPA), DCE-UFOPA, UES, SINTEPP, GCI e Radio Rural.
Objetivo: Valorizar e celebrar a memória e a atualidade dos cabanos no lugar onde tiveram o seu mais resistente acampamento no baixo Amazonas, e onde até hoje os moradores e descendentes lutam pelos seus direitos.
A previsão é reunir 200 pessoas, entre moradores de Cuipiranga e comunidades vizinhas e o grupo de 40 acadêmicos da UFOPA e representantes de movimentos sociais que irão de Santarém.
Programação
06/01/2012
07:00 hs – Saída do barco de Santarém para Cuipiranga, levando estudantes e professores da UFOPA e demais participantes.
11:00 hs – [Após chegada do barco a Cuipiranga] Recepção e apresentação dos visitantes e abertura do Encontro.
12:00 – Almoço
14:30 hs – História e memória da Cabanagem: 177 anos de uma guerra que não acabou – Hoje a luta é contra as hidrelétricas.
[mesa-redonda e discussão, com participação de pesquisadores, visitantes e moradores]
17:30 hs – Levantação do mastro da festa
19:30 hs – Celebração religiosa na praia seguida de apresentação do Marambiré.
20:30 hs – Lançamento do documentário MEMÓRIAS CABANAS, de Clodoaldo Correa.
07/01/2012
06:00 hs – Café da manhã
06:30 hs – Saída da Caminhada dos Cabanos, de Cuipiranga, passando por Vila Amazonas, em direção à comunidade de Guajará (sai do lado do rio Tapajós para o rio Amazonas).
10:00 hs – Chegada e recepção em Guajará, seguida de discussão sobre o sentido da Caminhada e da luta dos cabanos hoje: a proposta de criação do MUSEU ABERTO DA CABANAGEM.
12:00 hs – Almoço coletivo
13:00 hs – Apresentação de filmes e documentários
14:30 hs – Despedidas e volta para Cuipiranga.
19:30 hs – Ritual/celebração
20:00 hs – Lançamento do filme O CÔNEGO (com a presença do diretor Paulo Miranda), seguido de debates.
22:00 hs – Festa dançante
08/01/2012
7:00 hs – Café da manhã
8:00 hs – Homenagem aos cabanos: Visita ao Cemitério de Cuipiranga
9:30 hs - Avaliação e planejamento do evento
10:30 hs – Ritual de despedida Derrubada do mastro
11:30 hs – Piracaia (almoço) de despedida e final do encontro
15:00 hs – saída do barco para Santarém
Maiores informações e reserva de vagas:
Prof. Dr. Florêncio Almeida Vaz – UFOPA
Coordenador do Projeto Memórias da Cabanagem
florenciovaz@uol.com.br
(093)9184-4900
Cuipiranga (Santarém - PA), 06-08/01/2012
Iniciativa da Associação dos Moradores de Cuipiranga, com apoio do “Projeto Memórias da Cabanagem” (Programa de Antropologia e Arqueologia/PAA/ICS/UFOPA), DCE-UFOPA, UES, SINTEPP, GCI e Radio Rural.
Objetivo: Valorizar e celebrar a memória e a atualidade dos cabanos no lugar onde tiveram o seu mais resistente acampamento no baixo Amazonas, e onde até hoje os moradores e descendentes lutam pelos seus direitos.
A previsão é reunir 200 pessoas, entre moradores de Cuipiranga e comunidades vizinhas e o grupo de 40 acadêmicos da UFOPA e representantes de movimentos sociais que irão de Santarém.
Programação
06/01/2012
07:00 hs – Saída do barco de Santarém para Cuipiranga, levando estudantes e professores da UFOPA e demais participantes.
11:00 hs – [Após chegada do barco a Cuipiranga] Recepção e apresentação dos visitantes e abertura do Encontro.
12:00 – Almoço
14:30 hs – História e memória da Cabanagem: 177 anos de uma guerra que não acabou – Hoje a luta é contra as hidrelétricas.
[mesa-redonda e discussão, com participação de pesquisadores, visitantes e moradores]
17:30 hs – Levantação do mastro da festa
19:30 hs – Celebração religiosa na praia seguida de apresentação do Marambiré.
20:30 hs – Lançamento do documentário MEMÓRIAS CABANAS, de Clodoaldo Correa.
07/01/2012
06:00 hs – Café da manhã
06:30 hs – Saída da Caminhada dos Cabanos, de Cuipiranga, passando por Vila Amazonas, em direção à comunidade de Guajará (sai do lado do rio Tapajós para o rio Amazonas).
10:00 hs – Chegada e recepção em Guajará, seguida de discussão sobre o sentido da Caminhada e da luta dos cabanos hoje: a proposta de criação do MUSEU ABERTO DA CABANAGEM.
12:00 hs – Almoço coletivo
13:00 hs – Apresentação de filmes e documentários
14:30 hs – Despedidas e volta para Cuipiranga.
19:30 hs – Ritual/celebração
20:00 hs – Lançamento do filme O CÔNEGO (com a presença do diretor Paulo Miranda), seguido de debates.
22:00 hs – Festa dançante
08/01/2012
7:00 hs – Café da manhã
8:00 hs – Homenagem aos cabanos: Visita ao Cemitério de Cuipiranga
9:30 hs - Avaliação e planejamento do evento
10:30 hs – Ritual de despedida Derrubada do mastro
11:30 hs – Piracaia (almoço) de despedida e final do encontro
15:00 hs – saída do barco para Santarém
Maiores informações e reserva de vagas:
Prof. Dr. Florêncio Almeida Vaz – UFOPA
Coordenador do Projeto Memórias da Cabanagem
florenciovaz@uol.com.br
(093)9184-4900
domingo, 16 de janeiro de 2011
Comemoração dos 175 anos da Cabanagem em Cuipiranga
Se realizou em Cuipiranga, nos dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2011, a comemoração dos 175 da Cabanagem.
A Caravana da Memória Cabana ganhou uma boa repercussão regional, e ainda que a equipe que a compôs no início não tenha podido participar na sua totalidade de integrantes em sua segunda parte, o número de participantes aumentou sensivelmente, tendo a Caravana aglutinado em torno de 50 pessoas dos mais diversos contextos sociais, como estudantes, professores, servidores públicos, profissionais liberais, políticos etc, que saíram na madrugada do dia 7 de janeiro em direção a comunidade de Cuipiranga.
Debaixo de um forte temporal começamos nossa jornada, mas depois de toda tempestade vem a bonança. Na comunidade todos os participantes foram imensamente bem recebidos por gente simples, honesta e cativante. Para mim, tanto os locais de recepção e reunião quanto as comidas regionais deliciosas e os festejos foram preparados com muita dedicação.
O ponto central da comemoração foi a memória da Cabanagem e sua relevância nos dias de hoje, nas lutas socias de hoje. Representantes de diversas entidades e movimentos sociais falaram sobre a memória da revolução cabana, foram feitos diversos debates sobre a luta principalmente interna para reaver conscientemente a própria memória como bandeira de luta social e posteriormente sobre a luta externa para que a memória seja um ponto de resistência contra a exploração do povo amazônida.
Um dos produtos da Caravana, o filme “Cuipiranga”, que possui os relatos das memórias tanto de descendentes dos revolucionários da Cabanagem quanto de conhecedores do trajeto da revolução, relatos extraídos de diversas comunidades e aldeias indígenas, foi exibido na comunidade de Cupiranga e na comunidade de Vila Amazônia, alcançada depois de uma caminhada de aproximadamente três horas, que repetiu um dos trajetos dos revolucionários cabanos pela mata adentro.
Foi erguido um momumento-memorial no cemitério da comunidade de Cuipiranga. Lugar em que jazem junto com as ruínas da igreja que ali existia, uma parte daqueles que ousaram se levantar contra uma força opressora gigantesca, e acreditaram que lutar pela sua liberdade e a liberdade dos seus de ter uma vida digna era uma luta para ser lutada até a vitória ou até a morte.
O compromisso do projeto da Caravana da Memória Cabana com a comunidade de Cupiranga e as outras comunidades historicamente e materialmente cabanas foi reiterado e diversos encaminhamentos de ações futuras foi postos e assumidos.
A todos os cabanos de ontem e hoje, saibam que em mim vejo vocês, também em mim vejo a vossa luta! Que a memória cabana viva para sempre! Que ela nos inspire a nos dê forças para lutarmos por uma sociedade mais justa!
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Reminiscências de uma viagem a um Brasil profundo
Depoimento de Cris Burlan, cineasta cabano:
Passado um mês da experiência de ter participado da Caravana da Memória Cabana, busco não filtrar as impressões e sensações ocorridas durante o trajeto, as experiência adquiridas e afins.
Minha memória, antes de mais nada, é olfativa, e através das lembranças de todos os aromas e cheiros, consigo reconstruir uma partitura do que foi essa viagem.
O desafio de resgatar, através do audiovisual, este acontecimento tão distante e marcante da historia brasileira, e tão pouco conhecido, se dá no campo do imaginário coletivo.
As possibilidades são muitas de se deixar levar por devaneios estéticos e científicos, mas ir por este caminho me levaria a uma estrada sem fim.
Acredito piamente no poder do cinema como uma arte epifânica e catártica. Por mais que eu queira domar/controlar/conduzir/manipular o material captado, isso seria impossível. Não tenho controle sobre isso, todas as imagens, depoimentos e sons captados, durante nossa viagem, tem vida própria.
Quando se está por trás de uma câmera, não existe a plena consciência do objeto ao qual você direciona a mesma. As lentes são filtros da realidade.
Só agora tenho noção da profundidade e diversidade do material captado, neste momento que me encontro na montagem - que é um processo dialético e reflexivo , onde o grande perigo é o do encadeamento lógico. Há que se resistir, e ter uma disciplina espartana, para que as coisas se estruturem naturalmente.
Me chama muito a atenção, não somente os diálogos e os depoimentos, muitas vezes comoventes, mas a expressão e uma certa melancolia, que exprimem esses rostos que fotografei durante a viagem.
Tenho uma certa obsessão pela busca de uma expressividade no tempo morto, e no extra-campo. E, principalmente, naquilo que não pode ser dito, nem fotografado. Creio que nesses espaços vazios, onde deixamos de perguntar e falar, é que reside a tecitura de um filme.
Devaneios a parte, o que eu quero dizer é que agradeço muito por ter participado da Caravana da Memória Cabana, e de ter conhecido todos os integrantes, e todas as pessoas que encontramos durante nossa viagem. Com certeza, uma passagem da minha vida, que vou guardar com muito carinho até o fim dos meus dias.
Ninguém navega impune nas águas do Rio Tapajós.
PS.: Sinto saudades de beber um Tarubá, e dançar ao som do Gambá!!!
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