Índio Mura

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

SAUDAÇÕES E RECOMENDAÇÕES PARA O VIII ENCONTRO ABERTO DA CABANAGEM, 5-7/01/2018


Amigxs caravanistas,


Sejam todos bem acolhidos nesta comitiva que já é histórica por juntar-nos em torno do respeito e da celebração da memória das lutas dos povos da região. Obrigado pela disposição de cada um(a) de vocês em se juntar a nossa comitiva. Este Encontro é um desdobramento da Caravana da Memória Cabana (2010), que visitou lugares-chave na história da Cabanagem no Baixo Amazonas, para recolher relatos das lembranças da população sobre esta Revolta/Revolução. E Cuipiranga é certamente o lugar mais significativo da resistência frente ao domínio dos portugueses. 
O nosso objetivo é reunir-nos com os moradores e celebrar esta história de teimosia e vitória do povo da região, de igual modo, é também nosso intuito rediscutir e rememorar a participação do Baixo Amazonas durante a Cabanagem.




Para que seus dois dias em Cuipiranga possam ser bem desfrutados, temos aqui algumas informações básicas e cuidados que devem ser tomados.

1. Barco: Ida - O Barco BARÃO DA SILVA II, que vai nos levar a Cuipiranga, estará em frente ao Tapajós Center Hotel na Avenida Tapajós, perto do Mercado de Peixe. Sairemos de Santarém Às 23:30hs no dia 05/01/2018 (6ª feira). Para a sua segurança, pedimos que sejam pontuais, para evitar atraso na saída. Os que não são da região, lembrem-se que devem levar suas redes e cordas. A viagem até Cuipiranga dura em média 3 horas, e podem dar um sono no trajeto. Na volta – o barco sairá de Cuipiranga, dia 07/01, às 17:30 horas, chegando a Santarém às 20:30hs, aproximadamente. Após o almoço de domingo (07/01), haverá tempo para aproveitar a praia, que é muito bonita em frente ao povoado.
Os caravanistas podem ficar hospedados nas casas dos moradores em Cuipiranga – eles já estão nos aguardando. Assim, nos intervalos da programação e durante a noite podem interagir e dialogar com essas pessoas que tanto se alegram com nossa visita. Porém, aos que preferirem, podem ficar no barco, que ficará ancorado em frente ao povoado (mas pode sair para abrigo em caso de temporal). Apenas insistimos que se evite o isolamento em relação aos moradores. (FIQUEM A VONTADE PARA ESCOLHER).

Importante: É prudente ter sempre consigo seus pertences de valor (câmeras, gravadores, celulares etc.) e dinheiro.

2. Alimentação: A coordenação não fornece alimentação (com exceção do almoço coletivo e gratuito no domingo), por isso pedimos que cada um leve a sua (no barco há freezer para guardar carnes, frangos, bebidas e outros frios). Essa colaboração pode ser colocada em comum com a família anfitriã, e uma parte deve ser deixada para o almoço de encerramento (piracaia), no domingo, que reunirá todos na praia, caravanistas e nativos. A comunidade ofertará um café da manhã no sábado e domingo. Na comunidade também serão vendidos lanches, refrigerantes, cervejas e refeições a partir de 8,00 (galinha caipira, com certeza). É recomendável que, para seu conforto e higiene, cada um leve seu prato e talheres, copo ou caneco (que servem tanto para o café como para sucos e outros usos), pois não usaremos copos descartáveis, em respeito à saúde dos rios. 
A quem puder, é interessante levarem alimentos e poderem compartilhar conosco no almoço coletivo de domingo, o famoso "juntar as panelas".

3. Roupas e calçados: leves e informais, como shorts, bermudas, saias e blusas, pois o calor de Cuipiranga é quase o mesmo de Santarém (só um pouco mais fresco à noite). Sandálias de dedo (tipo Havaianas) e tênis são bem vindos, principalmente na Caminhada dos Cabanos (aproximadamente 4 km), no dia 06/01. Chapéus de palha ou outros que protejam do sol, bonés e camisas vermelhas são uma sugestão para esta Caminhada. Lembre-se que os cabanos usavam uniformes vermelhos, como vermelha ficou a areia de Cuipiranga devido o sangue derramado na guerra (segundo relatos provenientes da memória coletiva).
Como é bonita a praia, e a água cristalina é própria para o banho, levem roupa de praia e protetor solar, pois haverá tempo para usufruir desse prazer.

4. Interação: Participem sempre nos momentos de discussão sobre a Cabanagem, de levantação e derrubado dos mastros, nos festejos e danças e qualquer outra circunstância de socialização. Haverá até uma festa dançante no sábado à noite.

5. Telefones e Celulares: os da Vivo pegam sinal na praia e na parte mais alta de Cuipiranga. Os da Claro pegam melhor. Telefone fixo não há na comunidade. Mas ninguém sentirá falta. Melhor relaxar e aproveitar. A conexão ali é outra, é histórica, é antropológica.

6. Repelente: Os de pele mais sensível, é melhor levar, pois pode haver carapanãs (Mosquitos). Mas geralmente pernilongos não atacam em Cuipiranga.

7. Como este encontro é de festa e celebração, quem puder, leve uma caixa de fogos de artifício (pistolas), para usar durante a chegada à comunidade, durante as alvoradas, a Caminhada dos Cabanos e durante a iluminação no cemitério, além de outros momentos mais festivos. Levem também velas estiarinas para a iluminação no cemitério.

8. Lanterna. É bom sempre ter uma, pois haverá programação à noite em terra, e uma lanterna pode ser muito útil.

9. Haverá vendas de camisas do evento ao valor de 20,00. Ressalta-se só temos 15 camisas além das da coordenação para  venda.

Para qualquer outra informação ou sugestão, procurem um dos coordenadores cujos endereços estão nesta lista


Lídia (93 99217-0437)
 
Márcio (93 99183-0216)

Sílvia (93 99199-4547)

Joane (93 99214-5892)

Dinei (93 99132-9747)

Wilverson Rodrigo (93 99154-6472) (w.rodrigohistoriador@bol.com.br)



Muito obrigado desde já, e ótimo evento a todxs.


Santarém, 03 de Janeiro de 2018.


Prof. º MsC. Wilverson Rodrigo S. de Melo
Co-Coordenador dos Encontros da Cabanagem
 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

JÁ É NESTA SEMANA.... VIII ENCONTRO ABERTO DA CABANAGEM

 A Guerra da Cabanagem vem sendo entendida por pesquisadores como uma Revolução armada que propiciou significativas mudanças no cenário social da Amazônia. Se a vias de fato as mudanças no cenário sócio-político não foram perenes, ao menos no campo ideológico e antropológico dos valentes paraenses, as mudanças foram.
Dado este cenário complexo e dicotômico é, que estudantes, pesquisadores,  sociedade civil organizada e comunitários de Cuipiranga, se reúnem todos os anos (desde 2010) em Santarém e Cuipiranga para rememorar e rediscutir os fatos históricos envolvendo a temática da Cabanagem na região do Baixo Amazonas.

Cabe ressaltar, que desde a edição de 2017, o evento passou a ter a contribuição do Programa de Educação da Universidade Federal do Oeste do Pará, vinculando-se as atividades da disciplina "História da Amazônia e da Educação "; passando a ter como linha de pesquisa e investigação a dimensão educativa e classe letrada no Grão Pará Oitocentista do período da Cabanagem.


Por ser uma temática da história social do Brasil que ainda precisa ser mais esmiuçada e historicizada é, que este VIII Encontro Aberto da Cabanagem se propõem a contribuir com a historiografia do Brasil e da Amazônia rediscutindo e analisando a Cabanagem no Baixo Amazonas a partir de outros deslocamentos analíticos e releituras de diferentes fontes de pesquisa provenientes do Arquivo Público do Estado do Pará (APEP), Arquivo Público do Estado de Pernambuco Jordão Emerenciano (APEJE), Biblioteca Arthur Viana, jornais da época e, tradições orais, imbuídas na memória coletiva dos amazônidas da região, além de outros tipos de arquivos e fontes de pesquisa.

O evento tem como objetivos:

▪Historiografar a Revolução da Cabanagem a partir de novas leituras nos campos cultural e educacional                    
▪Analisar as relações de poder imbuídas nas redes de sociabilidades dos cabanos e anticabanos                
▪Rediscutir o papel estratégico do Baixo Amazonas no fortalecimento e prolongamento da resistência revolucionária em meados do Oitocentos.


Venha Participar Conosco!   


                           

# Dia 5/01/2018 acontecerá uma roda de conversa no mini auditório HA1 na UFOPA Rondon as 16h, as inscrições são grátis e podem ser feitas pelo formulário eletrônico disponível no link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfEO3wH_fWAEUquj80Kp1aEY4AT0PLKSHfadBktFhVDsVOyA/viewform ou na hora, com certificação de 4hs.                                 
# Dia 5/01/2018 o barco "Barão da Silva II" sairá as 23:30 para a comunidade de Cuipiranga (distante 3h de viagem de Santarém)
 # o valor da passagem será de 30,00 para alunos,  50,00 profissionais e 100,00 professores universitários. .. o valor lhe dá direito a passagem de ida e volta,  café da manhã de sábado e domingo e almoço de domingo
#fica sob responsabilidade do caravanista o almoço e jantar de sábado dia 6/01, podendo o mesmo levar comida para ser preparada ou consumir refeições vendidas na comunidade a partir de 8,00
#os caravanistas podem se hospedar no barco ou na comunidade (preferencialmente, pois os comunitários aguardam esses momentos)              
 #para os que participarem em Cuipiranga será emitido certificado de 16hrs.. portanto,  quem participar da roda de conversa em Santarém e das atividades em Cuipiranga receberá um certificado de 20hrs.



Programação do VIII ENCONTRO DA CABANAGEM - SANTARÉM/CUIPIRANGA ¹

05/01/2018
6:00h - Alvorada
(Cuipiranga) 
16:00h - Roda de Conversa sobre a Cabanagem (Mini Auditório HA1 -Campus Rondon- UFOPA - Santarém) ²
17:00h – levantação do mastro e festa dançante até as 01:00h (Cuipiranga)
23:30h – Saída do Barco Barão da Silva II (em frente ao Tapajós Center Hotel, na Av. Tapajós - Santarém).

06/01/2018
6:00h - Alvorada (Cuipiranga)
7h – Recepção aos caravanistas e Café da manhã (Cuipiranga)
7:30h - Caminhada para Ícuipiranga (D. Ivonete Brechó), com parada para rememoração simbólica do outro lado do lago
9:00h – Conversas e Rememoração dos Combates Cabanos em Cuipiranga (na casa de D. Ivonete Brechó - Ícuipiranga)
11h - Retorno de Ícuipiranga para Cuipiranga
12h – Almoço (Cuipiranga)
12:30-17:30h – Tempo Livre (Sugestões: Visita aos Comunitários de Cuipiranga e/ou desfrute da praia)
16h - Recreação entre comunitários e visitantes – “Jogo de futebol dos cabanos”
18h – Apresentação, lançamento e doação do livro “Tempos de Revoltas no Brasil Oitocentista: ressignificação da Cabanagem no Baixo Tapajós (1831-1840)" - (Prof.º MsC. Wilverson Rodrigo S. de Melo - UFOPA/UÉVORA) -
(Cuipiranga)
19h - Programação Cultural (exibição de filme e danças) - (Cuipiranga)
20:30h - Apresentação das candidatas a Rainha da Cabanagem - (Cuipiranga)
21:00h - Jantar (Cuipiranga)
21:30 - Apresentação de grupos folclóricos e Festa dançante com vendas diversas (Cuipiranga)

07/01/2018
6h - Alvorada (Cuipiranga) 
7h - Café da manhã (Cuipiranga) 
 7:30h - Saída para a visita ao cemitério (Rememoração simbólica dos valentes patrióticos/cabanos) -
(Cuipiranga)
 10h - Derrubada do mastro (Cuipiranga) 
12h – Almoço Coletivo e gratuito (Piracaia) e Encerramento (Cuipiranga)
13-17h - Tempo Livre (Cuipiranga) 
17:30h - Retorno do Barco Barão da Silva II a Santarém 


¹ Programação idealizada pelos comunitários de Cuipiranga.

² As inscrições para a Roda de Conversa com certificação de 4hs, podem ser realizadas pelo formulário eletrônico disponível no link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfEO3wH_fWAEUquj80Kp1aEY4AT0PLKSHfadBktFhVDsVOyA/viewform

* Para confirmação de passagem no Barco Barão da Silva II para a viagem a Cuipiranga é preciso confirmar previamente com algum membro da Comissão Organizadora. O valor da passagem está condicionada ao status do caravanista (estudante 30,00; profissionais 50,00; professores universitários 100,00).

** Contatos/Whatsapp: 



Lídia (93 99217-0437)

 
Márcio (93 99183-0216)

Sílvia (93 99199-4547)

Joane (93 99214-5892)

Dinei (93 99132-9747)

Wilverson Rodrigo (93 99154-6472) (w.rodrigohistoriador@bol.com.br)
 



 Comissão organizadora do VIII Encontro da Cabanagem.

sábado, 24 de junho de 2017

ACONTECEU.... VII ENCONTRO ABERTO DA CABANAGEM 21, 22, 23 de junho de 2017


Nos últimos dias 21, 22 e 23 de Junho aconteceu na Universidade Federal do Oeste do Pará, o VII Encontro da Cabanagem, edição especial de Santarém. Em comemoração aos 356 anos de Santarém ocorreu as rememorações dos 182 anos da Cabanagem no Grão-Pará. 
Por ser uma temática da História Social do Brasil que ainda precisa ser mais esmiuçada e historicizada é, que este VII Encontro da Cabanagem se propôs a contribuir com a historiografia do Brasil e da Amazônia, ao rediscutir e analisar a Cabanagem no Baixo Amazonas – e suas implicações nos campos social, cultural e educacional – a partir de outros deslocamentos analíticos e releituras de diferentes fontes de pesquisa, no âmbito da Historiografia, da Memória e da História. Cabe ressaltar que o evento estava vinculado a disciplina "História da Amazônia e da Educação" do Programa de Educação/UFOPA.



DIA 21/06/17     LOCAL: Mini Auditório HA1
18:00 - Credenciamento
18:30 – Abertura do Evento: Ritual Indígena (Pajé Paulinho Borari)
18:50 – Composição da Mesa de Abertura
Profª. Dra. Raimunda Nonata Monteiro (Reitora da UFOPA)
Prof. Dr. André Dioney Fonseca (Representando a Direção do ICED)
Profa. Dra. Eleny Brandão Cavalcante (Vice Coordenadora do Curso de Pedagogia/UFOPA)
Prof. MsC. Wilverson Rodrigo Silva de Melo (Coordenador do Evento)

19:30 – Mesa Redonda: A Cabanagem no Baixo Amazonas: interseções entre a História, a Memória e a Historiografia.
Prof. Dr. Florêncio Almeida Vaz (PAA/ICS/UFOPA)

Prof.ª MsC. Antonia Terezinha Amorim (IHGTap)
 


Mediadora: Profª. MsC. Isabel Teresa Creão Augusto (PCH/ICED/UFOPA)

























IMPRESSÕES DO DIA




Ao som de músicas e ritual indígena, o pajé Paulinho Borari deu início a abertura do evento. Com um discurso de reafirmação étnica e rememorando as lutas de seus antepassados durante a Revolução da Cabanagem, o pajé dispersou fumaça de Tauari, na perspectiva de abençoar o evento e fazer memória de todos os cabanos que lutaram bravamente em meados de 1835.

Após o ritual, as palavras da Reitora Raimunda Nonata Monteiro comoveram e impressionaram a todos, especificamente quando a mesma se autodeclarou Kumaruara, dizendo que veio da região da etnia Kumaruara, onde as histórias da Cabanagem sempre foram muito presentes, até mesmo nas denominações de vilas como "Forca".



Na mesa redonda, as contribuições do antropólogo indígena e indigenista Prof Dr. Florêncio Almeida Vaz e da historiadora Prof. MsC. Terezinha Amorim foram enriquecedoras, principalmente ao relatarem sobre as memórias indígenas e ribeirinhas sobre a Cabanagem e sua relação com as documentações da época. Com a mediação da Profa MsC Isabel Creão, as conotações da mesa giraram entorno de incentivar novos pesquisadores e estudantes a se debruçarem sobre esta temática tão relevante para a História da Amazônia.
Cabe ressaltar que no primeiro dia esteve a venda a Revista do IHGTap ano 2016, edição especial que trouxe somente artigos referentes a Cabanagem no Baixo Amazonas.




OBS: Ao fim do primeiro dia houve sorteio de dois livros sobre a temática da Cabanagem.





DIA 22/06/17     LOCAL: Mini Auditório HA1
18:00 - Credenciamento
18:00 – Exibição do Filme Documentário “Revolta dos Cabanos" do cineasta Renato Barbieri.
19:00 – Apresentação do Livro “Tempos de Revoltas no Brasil Oitocentista: ressignificação da Cabanagem no Baixo Tapajós (1831-1840) ”
Autor: Prof. MsC. Wilverson Rodrigo Silva de Melo (PE/ICED/UFOPA)
Mediador: Prof. Dr. Karl Heinz Arenz (IFCH/UFPA - PCH/ICED/UFOPA)
21:00 – Coquetel de Lançamento do Livro




IMPRESSÕES DO DIA

Com a exibição do vídeo documentário de Renato Barbieri produzido para a TV Escola, o público pode ter uma melhor percepção historiográfica e antropológica. No documentário, vários historiadores e antropólogos renomados da região Norte do Brasil, com mais de 10 anos de estudos sobre a História Indígena, História da Cabanagem e História dos Mocambos na região amazônica, puderam contribuir ao compartilhar suas impressões e pesquisas sobre a Revolução da Cabanagem e, os diferentes sujeitos sociais envolvidos, principalmente os Mundurukus, Muras, Maytapus, Tupinambás, dentre outros.
Registramos a presença de alunos do DAAIN (Diretório Acadêmico de Alunos Indígenas), do coletivo de alunos quilombolas e de comunitários de Cuipiranga no dia do evento em que também se comemorou os 356 anos de Santarém.
Logo em seguida houve a apresentação e lançamento do Livro “Tempos de Revoltas no Brasil Oitocentista: ressignificação da Cabanagem no Baixo Tapajós (1831-1840) ” do Prof. MsC. Wilverson Rodrigo Silva de Melo (PE/ICED/UFOPA). Cabe ressaltar que o historiador Wilverson Melo é um dos grandes nomes do campo da História que envereda pelos estudos da Cabanagem a quase uma década. A obra é fruto de sua dissertação de Mestrado defendida da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com algumas modificações e suplantação de capítulo.
O livro traz o Prefácio assinado pelo antropólogo Prof. Dr. Mark Harris da Universidade de Saint Andrews no Reino Unido. Mark que morou na região amazônica e pesquisa a Cabanagem a mais de 15 anos, é sem dúvidas hoje uma das maiores autoridades no estudo da Cabanagem fora do Brasil e, trouxe substanciais contribuições para a compreensão da temática da Cabanagem ao fazer dialogar antropologia e história, principalmente no que tange ao estudo das etnias indígenas presentes na Revolução.
O livro também traz textos de capas da Profa. Dra. Isabel Guillen (UFPE) e da Profa. Dra. Hebe Mattos (UFF). Ambas são grandes nomes da Historiografia brasileira contemporânea, sendo a última uma das mais renomadas autoridades no campo da História Moderna e Contemporânea do Brasil.

Com a mediação do Prof. Dr. Karl Arenz da UFPA/UFOPA, sem dúvidas um dos grandes historiadores da História do Indigenismo e História Colonial da Amazônia, alguns pontos da obra foram destaques:

  • A obra traz uma perspectiva de Longa Duração, fazendo contextualização desde a Política do Diretório Pombalino (1750) até os últimos murmúrios de Cabanagem em documentações encontradas pelo autor (1845) 
  • A obra não traz apenas uma abordagem regional, mas também faz fortes relações e interseções com o contexto nacional e internacional no Oitocentos
  • A obra desmitifica a ideia de uma Amazônia Isolada e vista apenas como um Paraíso Luso e passa a discutir a tese de uma Amazônia Insurgente desde os tempos coloniais e com fortes relações comerciais com Mato Grosso, Goiás, e relações sociais com a América Espanhola e América Francesa e contributos da Revolução Americana.
  • O livro faz uma grande discussão da desconstrução histórica do termo "cabano" e traz novas prospecções a respeito da imposição deste termo e sua apologia pejorativa
  • O livro  não polariza as visões maniqueístas entre bons e maus, bandidos e heroís, mas tenta historiografar os múltiplos lados na guerra: tropas cabanas, tropas anticabanas, grupos de terceiros como os de Jacó Patacho.. e rechaça o uso do termo "Legaes" para designar as tropas repressoras do governo Regencial
  • Outra grande contribuição da Obra é trazer para discussão a questão étnica indígena e negra na época da Cabanagem, no sentido das etnicidades estarem em completa construção e reconfiguração. A partir de documentações do APEP (Arquivo Público do Estado do Pará) e das polarizações de Veríssimo da obra de Raiol, o livro de Wilverson Melo traz ao debate as invenções e rotulações de "cabano" e "tapuio" feitos pelo "outro" (colonizador e tropas da Regência). 
  • A obra faz uma uma convergência entre documentações de época e a pós-memória numa guinada subjetiva, no sentido de registrar "histórias" da Cabanagem de moradores de Cuipiranga, de indígenas do Baixo Tapajós (Arapium), de quilombolas remanescentes de Arapemã e etc.
Ao término do evento no dia, foram sorteados 2 livros e 3 cd's para os participantes. Logo após a apresentação do Livro, todos foram convidados para um coquetel na sala H104, ao lado do Mini auditório HA1.

 

NOTAS:  
  •  O livro teve seu Pré-Lançamento na Universidade de Évora no dia 17 de maio, tendo sido bem acolhido pelos pares portugueses.
  • A invenção do termo cabano está associada a estratégia de homogeneizar todos aqueles indistintos algozes
  • O termo também é uma designação oriunda das tropas repressoras que foram transladadas da Cabanada
  • A invenção está ligada a outras variáveis que estão contidas na Obra. 
  • As documentações do APEP e as polarizações de Veríssimo nos fazem compreender que existiam rusgas entre índios e tapuios, sendo que os índios "bravos" escarneciam e não suportavam serem comparados aos tapuios (categorização inventada para rotular todos os indígenas aldeados e "mansos" nas missões).. Logo os termos "cabano e tapuio" não são categorias étnicas feitas de si para si, antes são imposições de termos classificatórios no sentido de homogeneizar a muitos que lutaram na época da Cabanagem
  • Na Revolução da Cabanagem, muitas etnias estiverem presentes em ambos os lados. A Revolução é conhecida pela multiplicidade de sujeitos partícipes, entre os quais podemos citar: negros mocambeiros do Rio Amazonas, do Rio surubiú, da cachoeira porteira, do Rio Trombetas, do Rio Curuai, da etnia Munduruku, da etnia Tupinambá, da etnia Mura, da etnia Maytapu, da etnia Borari, da etnia Arapyum, da etnia Kumaruara, de brancos desertores, dentre outros.


DIA 23/06/17     LOCAL: Mini Auditório HA1

19:00 – Mesa Redonda: Pesquisas sobre a Cabanagem na UFOPA: Novas perspectivas e possibilidades de Estudo.

* Contexto Educacional em Santarém no Pós- Cabanagem (180-1850)

Cláudia Karolina Sousa Godinho (Graduanda em Pedagogia pela UFOPA)


* Crimes Cabanos no Baixo Tapajós (1835-1840)

Fabíola Caroline Siqueira Araújo (Licenciada em História pela UFOPA)


* Arqueologia da Cabanagem no Baixo Tapajós

Ingo Ian Rodrigues Nepomuceno (Bacharel em Arqueologia pela UFOPA).


* Educação Indígena, Histórias e Memórias da Cabanagem em Pinhél
Suerley Mendes Parintins (Graduando em Pedagogia pela UFOPA)
Mediador: Prof. MsC. Wilverson Rodrigo Silva de Melo (PE/ICED/UFOPA)
ENCERRAMENTO: Prof. Dr. Anselmo Alencar Colares (Vice Reitor da UFOPA)
Prof. MsC. Wilverson Rodrigo Silva de Melo (Coordenador do Evento)
21:00 – Noite Cultural: Roda de Carimbó e Mistura de ritmos - LOCAL: Patifão)
* Grupo Carimbatuque
* Cristina Caetano

  

IMPRESSÕES DO DIA
Montada como uma Banca especial, os trabalhos apresentados no dia 23/06 são frutos de acadêmicos da ufopa que estão desenvolvendo e/ou já concluíram recentemente suas pesquisas no campo da Cabanagem.
Fazendo abordagens sobre a dimensão pedagógica e reorganização da educação no Pós Cabanagem, a acadêmica Claudia Karolina expôs sua pesquisa em andamento na qual busca fazer uma convergência entre a Instrução Pública e História Social da Amazônia.
Com pesquisas mais consolidadas e já concluídas, os egressos da ufopa Fabíola Caroline e Ingo Ian, compartilharam suas pesquisas oriundas de prismas diferentes. Fabíola expôs a temática de processos crimes e de justificação da época da Cabanagem em Santarém, a partir de documentações recentes do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, comarca de Santarém. Já o arqueólogo Ingo, compartilhou a interseção das técnicas e métodos da Arqueologia no prisma da Cultura Material e Ambiente com a Historiografia mais recente sobre Cabanagem na região.
Outra grande contribuição da mesa foi do acadêmico Suerley Parintins, aluno indígena do Curso de Pedagogia, pertencente a etnia Maytapu. Suerley expôs parte de sua pesquisa em andamento, onde busca dialogar história e memórias da Cabanagem em Pinhel com a educação escolar indígena naquela aldeia/comunidade. Em sua apresentação, o aluno indígena reforça as discussões nos documentos de época e das memórias dos mais antigos sobre o silenciamento e o processo de identidades negadas aos povos indígenas do Baixo Tapajós, que durante anos foram rotulados como silvícolas, povos tradicionais, ribeirinhos e tapuios. Nessa mesma perspectiva, Suerley imprime o diálogo sobre o processo de reelaboração cultural e reafirmação étnica que teve início no fim do século passado e que iniciou a reafirmação de etnicidades dos povos do Baixo Tapajós.
Ao fim das discussões a mesa de alunos foi desfeita, e o evento teve contribuições de encerramento por meio de um diálogo entre História e Educação, a partir das assertivas do Vice Reitor da Ufopa Prof. Dr. Anselmo Colares e do Prof. MsC. Wilverson Melo, coordenador do evento.
Ao término do evento, foram sorteados 2 livros e 2 cd's para os participantes e 5 livros para os alunos membros da comissão organizadora. Logo em seguida, todos foram convidados a prestigiar a apresentação cultural de Carimbó com o Grupo Carimbatuque.


 






Nota Explicativa:

Sendo o termo “Tapuio” um termo genérico para homogeneizar todos os povos indígenas no período da Cabanagem até o fim do século XX, podemos afirmar que o Pajé Paulinho Borari e o acadêmico Suerley foram protagonistas do VII Encontro da Cabanagem na condição de “tapuios”. Entretanto, como a reafirmação e autoreconhecimento étnico são subjetivos e históricos, os mesmos atores sociais, no evento discursaram que reconhecem sua etnia e rechaçam o termo tapuio atribuído pelo “outro”.
A cabanagem não teve só um povo ou etnia protagonista, mas sim várias bandeiras e multiplicidades de sujeitos envolvidos. Dizer que um povo ou uma etnia foram mais importantes e os verdadeiros protagonistas da Revolução da Cabanagem, antes de ser um grande equívoco, mostra a ignorância e falta de fundamentação historiográfica e antropológica sobre o Oitocentos e o contexto da Revolução...
É por tais atitudes de desconhecimento e ignorância que a mais de uma década pesquisadores renomados de diferentes instituições universitárias da região Norte e do Reino Unido (UFPA, UFOPA, UFAM, UEA, IFPA, Univ. Saint Andrews) tem trabalhado no sentido de descontruir estereótipos e conceitos que foram impregnados pelo colonizador e tropas repressoras no período colonial e imperial do Brasil... Nesse sentido, esperamos que nossas produções cinematográficas e acadêmicas possam propiciar maior compreensão sobre o Brasil Oitocentista.



Ass: Comissão Organizadora do VII Encontro Aberto da Cabanagem.