Índio Mura

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MENSAGEM SOBRE A VIAGEM A CUIPIRANGA... 10-12/01/201

Amigos(as) caravanistas do IV Encontro da Cabanagem...

Sejam todos bem acolhidos nesta comitiva que já é histórica por juntar-nos em torno do respeito e da celebração da memória das lutas dos povos da região. Obrigado pela disposição de cada uma de vocês em se juntar a nossa comitiva. Este Encontro é um desdobramento da Caravana da Memória Cabana (2010), que visitou lugares-chave na história da Cabanagem (1835-1840) no Baixo Amazonas, para recolher relatos das lembranças da população sobre esta guerra. E Cuipiranga é certamente o lugar mais significativo da resistência frente ao domínio dos portugueses. O nosso objetivo é reunir-nos com os moradores e celebrar esta história de teimosia e vitória do povo da região.

Para que seus três dias em Cuipiranga possam ser bem desfrutados, temos aqui algumas informações básicas e cuidados que devem ser tomados:

1. Barco
FELIPE NETO - Para a sua segurança, pedimos que sejam pontuais, para evitar atraso na saída. Os que não são da região, lembrem-se que devem levar suas redes e cordas. A viagem até Cuipiranga dura em média 3 horas, e podem dar um sono no trajeto. Volta – o barco sairá de Cuipiranga, dia 12, às 16 horas, chegando a Santarém às 19 hs, aproximadamente. Após o almoço de domingo (06/01), haverá tempo para aproveitar a praia, que é muito bonita em frente ao povoado.
Pedimos que os caravanistas fiquem hospedados nas casas dos moradores em Cuipiranga – e eles já estão nos aguardando. Assim, nos intervalos da programação e durante a noite podem interagir e dialogar com essas pessoas que tanto se alegram com nossa visita. Porém, aos que preferirem, podem ficar no barco, que ficará ancorado em frente ao povoado (mas pode sair para abrigo em caso de temporal). Apenas insistimos que se evite o isolamento em relação aos moradores.

Importante: É prudente ter sempre consigo seus pertences de valor (câmeras, gravadores, celulares etc.) e dinheiro, pois haverá pessoas de várias procedências e alguns tem “mau costume”. É bom não facilitar.

2. Alimentação: A coordenação não fornece alimentação, por isso pedimos que cada um leve a sua (no barco há freezer para guardar carnes, frangos, bebidas e outros frios). Essa colaboração pode ser colocada em comum com a família anfitriã, e uma parte deve ser deixada para o almoço de encerramento (piracaia), no domingo, que reunirá todos na praia, caravanistas e nativos. A comunidade terá venda de comida ao preço de R$5,00 o prato. Na comunidade também serão vendidos lanches, refrigerantes, cervejas e refeições. É recomendável que, para seu conforto e higiene, cada um leve seu prato e talheres, copo ou caneco (que servem tanto para o café como para sucos e outros usos), pois não usaremos copos descartáveis, em respeito á saúde dos rios.

3. Roupas e calçados: leves e informais, como shorts, bermudas, saias e blusas, pois o calor de Cuipiranga é quase o mesmo de Santarém (só um pouco mais fresco à noite). Sandálias de dedo (tipo Havaianas) e tênis são bem vindos, principalmente na Caminhada dos Cabanos (aproximadamente 7 km). Chapéus de palha ou outros que protejam do sol, bonés e camisas vermelhas são uma sugestão para esta Caminhada. Lembre-se que os cabanos usavam uniformes vermelhos, como vermelha ficou a areia de Cuipiranga devido o sangue derramado na guerra.
Como é bonita a praia, e a água cristalina é própria para o banho, levem roupa de praia e protetor solar, pois haverá tempo para usufruir desse prazer.

4. Interação: Participem sempre nos momentos de discussão sobre a Cabanagem, de levantação e derrubado dos mastros, nos festejos e danças e qualquer outra circunstância de socialização. Haverá até uma festa dançante no sábado à noite.

5. Telefones e Celulares: os da Vivo pegam sinal na praia e na parte mais alta de Cuipiranga. Os da Claro pegam melhor. Telefone fixo não há na comunidade. Mas ninguém sentirá falta. Melhor relaxar e aproveitar. A conexão ali é outra.

6. Repelente: Os de pele mais sensível, é melhor levar, pois pode haver carapanãs. Mas geralmente pernilongos não atacam em Cuipiranga.

7. Como este encontro é de festa e celebração, quem puder, leve uma caixa de fogos de artifício (pistolas), para usar durante a chegada à comunidade, durante a Caminhada dos Cabanos e durante a iluminação no cemitério, além de outros momentos mais festivos.Levem também velas para a iluminação no cemitério.

8. Lanterna. É bom sempre ter uma, pois haverá programação à noite em terra, e uma lanterna pode ser muito útil.

Para qualquer outra informação ou sugestão, procurem: com Luciene (9164-258) e Floriene (91625341). 

Muito obrigado desde já.
Santarém,

A Coordenação da Caravana ao IV Encontro da Cabanagem


PROGRAMAÇÃO DO IV ENCONTRO DA CABANAGEM, DIAS 10-12 DE JANEIRO DE 2014

O IV Encontro da Cabanagem acontece nos dias 10, 11 e 12 de janeiro de 2013 em Cuipiranga (pequena comunidade no rio Tapajós quase em frente a Santarém). 

Será mais uma viagem política na história da Amazônia. Estar no lugar onde os cabanos lutaram pela sua liberdade nos dá a chance de fazer uma experiência única e reflexão sobre a história dos(as) guerreiros(as) paraenses que se levantaram em armas nos anos 1830. Sua memória sobreviveu porque foram ousados e inteligentes, não tiveram medo de arriscar. 

A programação inclui:
10/01 - Recepção dos visitantes, palestra e debate, palestras levantação do mastro, exibição de filme à noite;
11/01 - Caminhada dos cabanos, de Cuipiranga a Vila Amazonas (7 km), e forró, à noite;
12/01 - Iluminação e ritual no cemitério, derrubada do mastro e piracaia de encerramento. 

Obs: Este ano vai ter passeio de rabeta no lago e jogo de futebol entre os atletas presentes. Haverá muito tarubá, carimbo e banho de rio.

Convidamos a todos a fazerem parte dessa história!
Reserve sua passagem com Luciene (9164-258) e Floriene (91625341).

Sobre o transporte para quem está em Santarém:

Saída do Barco irá ocorrer dia (09/01) às 23 hs para Cuipiranga, o barco será o “FELIPE NETO” que sairá de frente do Posto Santo Antonio.

Retorno dia 12/01, às 16h (chegando a Santarém às 19 hs).
Valor da passagem: R$50,00. Reserve e pague sua passagem até dia 08/01, pois o barco tem capacidade para apenas 60 passageiros.

A comida será vendida pelos moradores da comunidade ao preço de R$5,00 o prato. Aliás, pede-se que cada participante leve seu prato, copo e colher.


Haverá alojamento em terra, na escola e na casa das famílias.
 A cada ano que passa, o encontro deve ser mais aconchegante. Participe!



domingo, 17 de novembro de 2013

TEMPOS DE REVOLTAS NO BRASIL OITOCENTISTA: A “REVOLUÇÃO CABANA” EM SANTARÉM NA REGIÃO DO BAIXO AMAZONAS PARAENSE (1834-1838)

TEMPOS DE REVOLTAS NO BRASIL OITOCENTISTA: A “REVOLUÇÃO CABANA” EM SANTARÉM NA REGIÃO DO BAIXO AMAZONAS PARAENSE (1834-1838)

Wilverson Rodrigo Silva de Melo
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
w.rodrigohistoriador@bol.com.br

RESUMO - A Guerra da Cabanagem (1835-1840) completou neste ano, 178 anos. Estudos e pesquisas recentes mostram que o Baixo Amazonas foi à área de maior resistência depois de Belém na província do Grão-Pará - me atrevo a dizer que foi a maior. A partir de leituras de documentações do Arquivo Público do Estado do Pará e expedições pelo Baixo Tapajós, é possível identificar importantes variações nos relatos e memórias sobre esta revolta/revolução. Tal fato desencadeou uma série de questionamentos e inquietações que visam discutir esta “Revolta” sob uma ótica que possibilite historicizar a tomada de Santarém (“capital do Vale Amazônico no Baixo Amazonas”) pelas tropas cabanas; a Guerra da Cabanagem do ponto de vista dos “descendentes dos cabanos” de Cuipiranga; a derrocada do reduto cabano no Tapajós; bem como discutir o sujeito e uso do termo “cabano”.

Palavras-chave: Cabanos, Santarém, Cuipiranga. 




DADOS CATALOGAIS INTERNACIONAIS DE PUBLICAÇÃO:

MELO, Wilverson R. S. de. Tempos de Revoltas no Brasil Oitocentista: a “Revolução Cabana” em Santarém na Região do Baixo Amazonas Paraense (1834-1838). In: VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA: CULTURAS E IDENTIDADES, 2013, Arquivos e Ditaduras (Anais) ... Goiânia: Universidade Federal de Goiás (UFG), 28 de Outubro a 1º de Novembro de 2013, pág. 1-23. (CD ROM).


OBS: O TRABALHO COMPLETO PODE SER DISPONIBILIZADO VIA: Programa de Pós-Graduação em História da UFG; ANPUH-GO ou pelo e-mail: w.rodrigohistoriador@bol.com.br



Prof.º MsC* Wilverson Rodrigo Silva de Melo
Historiador; Pesquisador de História da Amazônia;
Co-coordenador dos Encontros da Memória da Cabanagem;
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

“Novos cabanos”: o recente processo de ressurgimento e ressignificação de identidade no Baixo Tapajós

“Novos cabanos”: o recente processo de ressurgimento e ressignificação de identidade no Baixo Tapajós

Wilverson Rodrigo Silva de Melo
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
w.rodrigohistoriador@bol.com.br

RESUMO - Este trabalho tem por objetivo analisar o processo cultural de ressignificação de identidade de alguns grupos indígenas, e um pequeno percentual de povos tradicionais e quilombolas da mesorregião do Baixo Tapajós no Oeste do Estado do Pará, mediante a apropriação identitária do termo “novos cabanos”, proveniente dos estudos recentes sobre a Revolução-revolta da Cabanagem no Grão-Pará em meados do século XIX. A proposta metodológica fundamentou-se a partir de levantamentos e análises documentais do Arquivo Público do Estado do Pará (APEP) – no que tange ao conhecimento do processo histórico – dos quais foram selecionados e reunidos parte dos documentos datados de 1833-1854 (versão digitalizada). Também foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica que abrange o debate historiográfico entre pesquisadores que abordam o uso do termo cabano, tais como: Basílio de Magalhães, Luís Duque, Domingos Raiol, dentre outros; bem como uma literatura teórica referente a temas como identidade, simbolismos e Cabanada em Pernambuco: Stuart Hall, Mircea Eliade e Marcus Carvalho, respectivamente. A pesquisa se apoia igualmente em relatos orais, obtidos por meio de entrevistas audiovisuais e conversas informais realizadas durante o I Encontro de Memórias da Cabanagem (Cuipiranga – Santarém – Pará, jan. 2011). O termo “cabano”, segundo Duque (1898), seria uma expressão que advém das diversas revoltas de homens de cor em diversas regiões do Brasil, as quais eram classificadas como “cabanadas”, de modo pejorativo, devido à formação de seus exércitos serem compostos de caboclos, índios, mestiços e negros do interior das províncias, tais como a Cabanagem e a Cabanada ou Revolta das panelas, (além de significar os que habitavam em casas muito pobres alcunhadas de “cabanas”). Partindo de tais pressupostos, infere-se que os recentes estudos sobre a cabanagem deslocada dos arredores de Belém e norteada na protagonização no Baixo Tapajós e Médio Amazonas; o processo de resistência ao capital estrangeiro e projetos governamentais neoliberais para a Amazônia (construção de numerosas hidrelétricas, dentre outros) e o processo de emancipação política das regiões oeste e sul do Estado do Pará (Projeto Estado do Tapajós e Carajás respectivamente); de certa forma tem sido tomado como base para a apropriação identitária do termo “novos cabanos” (por parte das categorias sociais citadas acima), mediante um processo de ressignificação atrelado a qualidades como bravura, coragem e resistência observadas e compartilhadas no cotidiano dos “ancestrais cabanos”, o que por si só externa uma noção de identidade, significados e adoção de simbolismos como discutem Canclini (2006, p. 190) e Hall (2006, p.65). Este delineamento se situaria na interface de cultura, a qual Geertz (1973, p. 245, 89) define como um sistema ordenado de significados e símbolos, em cujos termos os indivíduos definem seu mundo, revelam seus achados e fazem seus julgamentos; é, pois também um padrão de significados, transmitidos historicamente, incorporados em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam-se, perpetuam-se, desenvolvem seu conhecimento sobre a vida e definem sua atitude em relação a ela.

Palavras-chave: movimentos sociais; ressignificação de identidade; novos cabanos.


DADOS CATALOGAIS INTERNACIONAIS DE PUBLICAÇÃO:

MELO, Wilverson R. S. de. “Novos cabanos”: o recente processo de ressurgimento e ressignificação de identidade no Baixo Tapajós. In: VI CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA, 2013, Democracia e Autoritarismo no Mundo Contemporâneo (Anais) ... Maringá: Universidade Estadual de Maringá (UEM), 25-27 de Setembro de 2013. v.6. pág.  1-13.


TRABALHO COMPLETO DISPONÍVEL EM:  http://www.cih.uem.br/anais/2013/trabalhos/437_trabalho.pdf 

Prof.º MsC* Wilverson Rodrigo Silva de Melo
Historiador; Pesquisador de História da Amazônia;
Co-coordenador dos Encontros da Memória da Cabanagem;
 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

sábado, 21 de setembro de 2013

PROSPECÇÕES E DISCUSSÕES ACERCA DO SUJEITO E USO DO TERMO “CABANO”


Pesquisa científica

G. Ciências Humanas - 5. História - 9. História Social

PROSPECÇÕES E DISCUSSÕES ACERCA DO SUJEITO E USO DO TERMO “CABANO"

Wilverson Rodrigo Silva de Melo¹
Flávio Weinstein Teixeira²

INTRODUÇÃO:
O tratamento dispensado aos revoltosos do Grão-Pará é proveniente de uma grande carga ideológica e pejorativa. O historiador Domingos Raiol Alcunhava-os de “classe ínfima, anarquistas”; o Pe. Sanches de Brito intitulava-os de “demônios”. Todavia, o nome marcante e que perpetuou-se fora “cabano”. Neste limiar, é que os estudos voltados à pesquisa sobre a Cabanagem, tem se mostrado uma tarefa escorregadia e movediça, na medida em que torna-se árdua o consenso entre historiadores que debruçam-se sobre as discussões acerca da Revolução-revolta, do sujeito e do uso do termo “cabano”. Diante desta complexidade historiográfica é que este trabalho visa discutir e esclarecer as alcunhas e nomenclaturas (critérios classificatórios, portanto) adotadas “para” e “pelos” cabanos, as quais encontram-se amalgamadas nas tessituras historiográficas da História Social da Amazônia por meio de um discurso ideológico e aristocrático, quase que numa penumbra, sob uma cortina de silêncio.

OBJETIVO DO TRABALHO:
Levantar as denominações (vale dizer, os critérios classificatórios dos sujeitos sociais) utilizadas pelas tropas legalistas para designar os “revoltosos” e sua relação ideológica de subalternidade; Analisar a reação e a posição do “cabano” diante das denominações impostas a ele.

MÉTODOS:
Este trabalho fora desenvolvido a partir de levantamentos e análises documentais do Arquivo Público do Estado do Pará (APEP) dos quais foram selecionados e reunidos parte dos documentos datados de 1833-1854 (versão digitalizada), a saber: Relatórios dos Ministérios do Império, da Marinha, da Guerra, da Fazenda e da Justiça; Relatórios e Leis provinciais do Grão-Pará e anúncios do Jornal Treze de Maio de 1840. Também fora desenvolvido a pesquisa bibliográfica e debate historiográfico entre pesquisadores que abordam a temática tais como: Basílio de Magalhães, Luís Gonzaga Duque, Domingos Antonio Raiol, Arthur C. F. dos Reis, Leandro M. Lima, Luís Balkar S. P. Pinheiro; como também uma fundamentação teórica com pesquisadores que abordam temas como identidade, simbolismos e Cabanada em Pernambuco, a saber: Stuart Hall, Mircea Eliade e Marcos J. M. de Carvalho, respectivamente. Além de relatos de entrevistas audiovisuais e conversas informais (História Oral, transcritos no texto por meio de seus sentidos e simbolismos) realizadas durante o I Encontro de Memórias da Cabanagem (Cuipiranga – Santarém – Pará, jan. 2011).

RESULTADOS E DISCUSSÃO:
O termo “cabano”, segundo Gonzaga Duque (1898), seria uma expressão corriqueira entre a elite imperial brasileira em meados de 1830: as diversas revoltas de homens de cor em diversas regiões do Brasil eram classificadas como “cabanadas”, de modo pejorativo, devido a formação de seus exércitos serem compostos de caboclos, índios, mestiços e negros do interior das províncias, tais como a Cabanagem e a Cabanada ou Revolta das panelas; exceto a Balaiada, “onde os revoltosos – bemtevis – denominavam sarcasticamente de ‘cabanos’ os seus adversários legalistas para assim confundi-los com o bando de fanático e ignóbil que assolavam as matas de Pernambuco e do Pará” (grifo do autor).
O uso da expressão teria chegado aos revoltosos do Grão-Pará através de tropas legalistas que foram transladadas de Pernambuco para a Província do Norte, e como infere Balkar Pinheiro (1998) nada mais fora do que uma estratégia ideológica de homogeneizar os diferentes sujeitos a quem o governo reprimia no Grão-Pará. Todavia, esta tessitura da história fora ocultado por aqueles que consideraram-se “vitoriosos”, os quais estabeleceram outros significados para o termo “cabano”, relacionando sua significância ao fato de habitarem em casas muito pobres e de materiais muito frágeis, alcunhadas de “cabanas”.

CONCLUSÕES:
Em suma, segundo Lima (2008), o termo “cabano” fora introduzido pelo Marechal Francisco José de Souza Soares d’Andréa, que por não encontrar na lei formas de condenar os rebeldes, criou o chamado crime geral de cabano, passando a unificar todos que indistintamente eram rebeldes, turbulentos, ladrões... Uma vez que, para as tropas anti-cabanas, desta forma tornava-se possível manter como um único e mesmo inimigo, todos os diferenciados sujeitos a quem confrontavam.
Quanto aos revoltosos, a priori ninguém queria ser intitulado “cabano” (devido sua carga pejorativa), preferiam ser chamados de “patríssios” (APEP, Cód.888) e/ou “valentes paraenses” como afirma o Sr. Cláudio José (entrevista concedida em jan. 2011). Entretanto, no decorrer do processo da Cabanagem (1835-40), os revoltosos adotaram o termo negativo daqueles que os combatiam como algoz na guerra, no entanto, fizeram isto mediante um processo de ressignificação atrelado a qualidades como bravura, coragem e resistência observadas e compartilhadas no cotidiano dos mesmos, o que externa uma noção de identidade, significados e adoção de simbolismos como discutem Canclini (2006, p. 190), Hall (2006, p.65) e Elíade (1998).


Palavras-chave: Discussão historiográfica
                            Cabanos
                            Significados




¹ Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História – UFPE
² Prof. Dr. / Orientador - Programa de Pós-Graduação em História – UFPE

Pôster do trabalho apresentado na 65ª Reunião Anual da SBPC



DADOS CATALOGAIS NACIONAIS DE PUBLICAÇÃO:


MELO, Wilverson R. S. de. Prospecções e Discussões acerca do Sujeito e uso do termo "cabano". In: 65ª REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC), 2013, Ciência para o Novo Brasil (Anais) ... Recife: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), 16-17, 21-26 de Julho de 2013. pág. 1. Disponível em:
http://www.sbpcnet.org.br/livro/65ra/resumos/resumos/5525.htm

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Agradecimento à recepção feita pelos cabanos no III Encontro da Cabanagem!!

Cabano, povo guerreiro, que na luta se empenhou. A areia vermelha de sangue, símbolo não de morte, mas de luta, invade nossa mente, rememoramos o passado num tempo presente onde o orgulho se firmou!!!

Desde a chegada da Caravana da Cabanagem em Cuipiranga pude sentir o calor e a simpatia desse povo cabano. Em Vila Amazonas, assim como em Cuipiranga, fomos muito bem recepcionados com belos cantos e muita alegria. Não poderíamos fazer diferente, retribuímos a receptividade com a canção: Esse Rio é minha rua (Ruy Barata), música esta, que marca o cenário Amazônida. Ao som do nosso carimbó, saudamos os cabanos!!
Ao longo do trajeto, de Cuipiranga à Vila Amazonas ( mesmo persurso feito pelos cabanos) pude refletir e sentir a emoção vivida por esse povo bravo. Toda a mística é envolvente. Como visitande estreiante, pisar na Terra vermelha de Cuipiranga é sentir o sangue lavando os pés e ter a certeza de que o povo cabano merece recerber sempre louvores pela bravura, força e inteligência. A luta cabana não morreu! Os cabanos vivem em cada um de nós!


sábado, 29 de dezembro de 2012

Cortina de Silêncio ou Efeito do Tempo?????

É preciso registrar, que os fatos e acontecimentos mais simplórios e ao menos curiosos, a respeito da Guerra da Cabanagem, são abrigados nas memórias dos mais antigos que outrora eram denominados "de Guardiães das Memórias". Faz-se necessário agilizarmos os registros e coletas dessa história oral, pois muitos desses depoentes estão sujeitos aos efeitos do tempo e das circunstâncias.
Num passado remoto, uma cortina de silêncio fora imposta a cada um destes que foram protagonistas ou ouvintes da história a eles perpassada, dentro de uma concepção europeizante de subalternidade em emplacar o exímio esquecimento deste grande e salutar movimento; hoje, ao terem oportunidade de contar sua "história" e revelar-nos acontecimentos próprios de sua vivência, bem como fatos simpliciter da Revolução Cabana, muitos desses depoentes se deparam com o desgaste e efeito do tempo dentro de um processo de envelhecimento, o qual caminha para o suspiro e seu silenciamento neste plano material.
No último dia 23 de dezembro, perdemos uma de nossas grandes depoentes e contribuinte no projeto memórias da Cabanagem, Dona Maria Zenaide do quilombo Pérola do Maicá veio a falecer e levar consigo uma miscelânia de saberes e histórias, todavia, que registre-se que ela nos reportou a uma nova versão de cabanagem negra no baixo Amazonas, protagonizada por um maranhense denominada por ela como o pioneiro na fuga de escravos na região, os quais por sua vez deram início a formação de quilombos, mocambos e cacoais nas margens do amazonas e tapajós.

Corramos e nos apressemos!!! Os guardiães das memórias não esperarão tanto tempo para compartilhar seus saberes e histórias e registrá-las no ímpeto amálgama da historiografia...

É chegada a hora do III Encontro da Cabanagem, geremos expectativas, vamos ao palco histórico de Cuipiranga despidos de todo e qualquer (pré) conceito,, vamos a discussão e debate, para que sob a luz da historicidade construamos teses e reconstruamos pequenos fragmentos dessa história.

"Não foquemos só os acontecimentos marcantes, demos atenção aos detalhes... Os detalhes são como o brilho dos diamantes, é preciso lapidá-lo, leva tempo e esforço, mas quando concluído, é esse brilho que dá significado e significância, e que faz toda a diferença"



Prof. MsC* Wilverson Rodrigo S. de Melo

















Pesquisador de História da Amazônia, mestrando do 
Programa de Pós-graduação em História da UFPE e 
Co-coordenador do III Encontro da Cabanagem

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

INFORMAÇÕES SOBRE A VIAGEM A CUIPIRANGA


Amigos(as) caravanistas do III Encontro da Cabanagem (04-06/01/2013),
Sejam todos bem acolhidos nesta comitiva que já é histórica por juntar-nos em torno do respeito e da celebração da memória das lutas dos povos da região. Obrigado pela disposição de cada uma de vocês em se juntar a nossa comitiva. Este Encontro é um desdobramento da Caravana da Memória Cabana (2010), que visitou lugares-chave na história da Cabanagem (1835-1840) no Baixo Amazonas, para recolher relatos das lembranças da população sobre esta guerra. E Cuipiranga é certamente o lugar mais significativo da resistência frente ao domínio dos portugueses. O nosso objetivo é reunir-nos com os moradores e celebrar esta história de teimosia e vitória do povo da região.

Para que seus três dias em Cuipiranga possam ser bem desfrutados, temos aqui algumas informações básicas e cuidados que devem ser tomados.
1. Barco: Ida - O Barco MENDES LEAL, que vai nos levar a Cuipiranga, estará em frente ao Posto Santo Antônio, perto do Mercado de Peixe. Sairemos de Santarém Às 07:00 hs no dia 04/01/2013 (6ª feira). Para a sua segurança, pedimos que sejam pontuais, para evitar atraso na saída. Os que não são da região, lembrem-se que devem levar suas redes e cordas. A viagem até Cuipiranga dura em média 3 horas, e podem dar um sono no trajeto. Volta – o barco sairá de Cuipiranga, dia 06/01, às 17 horas, chegando a Santarém às 20:00 hs, aproximadamente. Após o almoço de domingo (06/01), haverá tempo para aproveitar a praia, que é muito bonita em frente ao povoado.
Pedimos que os caravanistas fiquem hospedados nas casas dos moradores em Cuipiranga – e eles já estão nos aguardando. Assim, nos intervalos da programação e durante a noite podem interagir e dialogar com essas pessoas que tanto se alegram com nossa visita. Porém, aos que preferirem, podem ficar no barco, que ficará ancorado em frente ao povoado (mas pode sair para abrigo em caso de temporal). Apenas insistimos que se evite o isolamento em relação aos moradores.
Importante: É prudente ter sempre consigo seus pertences de valor (câmeras, gravadores, celulares etc.) e dinheiro, pois haverá pessoas de várias procedências e alguns tem “mau costume”. É bom não facilitar.

2. Alimentação: A coordenação não fornece alimentação, por isso pedimos que cada um leve a sua (no barco há freezer para guardar carnes, frangos, bebidas e outros frios). Essa colaboração pode ser colocada em comum com a família anfitriã, e uma parte deve ser deixada para o almoço de encerramento (piracaia), no domingo, que reunirá todos na praia, caravanistas e nativos. A comunidade ofertará um café da manhã na chegada e talvez nos outros dias. Na comunidade também serão vendidos lanches, refrigerantes, cervejas e refeições (galinha caipira, com certeza). É recomendável que, para seu conforto e higiene, cada um leve seu prato e talheres, copo ou caneco (que servem tanto para o café como para sucos e outros usos), pois não usaremos copos descartáveis, em respeito á saúde dos rios.
Importante! No sábado, 05/01, após a Caminhada dos Cabanos, que sai de Cuipiranga, almoçaremos em Vila Amazonas. É mais prático. A comunidade venderá o prato de comida pelo valor simbólico de R$7,00 reais (incluindo suco). È uma forma de ajudá-los também.

3. Roupas e calçados: leves e informais, como shorts, bermudas, saias e blusas, pois o calor de Cuipiranga é quase o mesmo de Santarém (só um pouco mais fresco à noite). Sandálias de dedo (tipo Havaianas) e tênis são bem vindos, principalmente na Caminhada dos Cabanos (aproximadamente 6 km), no dia 05/01. Chapéus de palha ou outros que protejam do sol, bonés e camisas vermelhas são uma sugestão para esta Caminhada. Lembre-se que os cabanos usavam uniformes vermelhos, como vermelha ficou a areia de Cuipiranga devido o sangue derramado na guerra.
Como é bonita a praia, e a água cristalina é própria para o banho, levem roupa de praia e protetor solar, pois haverá tempo para usufruir desse prazer.

4. Interação: Participem sempre nos momentos de discussão sobre a Cabanagem, de levantação e derrubado dos mastros, nos festejos e danças e qualquer outra circunstância de socialização. Haverá até uma festa dançante no sábado à noite.

5. Telefones e Celulares: os da Vivo pegam sinal na praia e na parte mais alta de Cuipiranga. Os da Claro pegam melhor. Telefone fixo não há na comunidade. Mas ninguém sentirá falta. Melhor relaxar e aproveitar. A conexão ali é outra.

6. Repelente: Os de pele mais sensível, é melhor levar, pois pode haver carapanãs. Mas geralmente pernilongos não atacam em Cuipiranga.

7. Como este encontro é de festa e celebração, quem puder, leve uma caixa de fogos de artifício (pistolas), para usar durante a chegada à comunidade, durante a Caminhada dos Cabanos e durante a iluminação no cemitério, além de outros momentos mais festivos.Levem também velas estiarinas para a iluminação no cemitério.

8. Lanterna. É bom sempre ter uma, pois haverá programação à noite em terra, e uma lanterna pode ser muito útil.

Para qualquer outra informação ou sugestão, procurem um dos coordenadores: Rodrigo (9154-6472) w.rodrigohistoriador@bol.com.br, Florêncio (9184-4900) florenciovaz@yahoo.com.br e Carlos Jaime (9129-6463)cj13mandatocoletivo@gmail.com , cujos endereços estão nesta lista.

Muito obrigado desde já.
Santarém, 27 de dezembro de 2012
A Coordenação da Caravana ao III Encontro da Cabanagem

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cabanos e Legais no Baixo Amazonas... Tessitura historiográfica para o III Encontro da Cabanagem em Cuipiranga (Santarém - 4 a 6 de janeiro de 2013)

Cabanos e Legais no Baixo Amazonas... Tessitura historiográfica para o III Encontro da Cabanagem em Cuipiranga (Santarém - 4 a 6 de janeiro de 2013)

Mais um ano se aproxima, teremos nosso III Encontro da Cabanagem num dos maiores palcos da resistência cabana no interior do antigo Grão-Pará - CUIPIRANGA em Santarém.
A comunidade de Cuipiranga em sua singela geografia guarda uma riquíssima história protagonizada por valentes homens que ousaram desafiar todo e qualquer “poder constituído” em pleno século XIX, em detrimento de melhoria de vida e aquisição de dignidade. Vale ressaltar que o lugar abarca um forte misticismo e espiritualidade, repleto de estórias sobre “visagens”, curupira, jurupari, mãe d’água, dentre tantos outros – os quais compõem de forma imagética o imaginário amazônico.


Prof.º MsC* Wilverson Rodrigo S.de Melo ¹

Dentre os seis grandes movimentos de rebelião ocorrido no período Regencial do Império brasileiro (Balaiada, Revolta dos Malês,Sabinada, Cabanada, Farroupilha e Cabanagem), a Cabanagem fora o único movimento quase que essencialmente popular, que passou de uma simples agitação ou insurreição para uma tomada efetiva do poder segundo Caio Prado Jr (1933).
E foi justamente essa ação de caráter popular que muito incomodou o governo regente imperial da época, levando tanto o Regente Diogo Feijó quanto o Regente Araújo Lima a reprimirem com tamanha violência os cabanos, ao ponto de serem dizimados cerca de 25 a 50 mil amazônidas em toda a região do Grão-Pará.
A pequena comunidade de Cuipiranga registra traços marcantes e simbólicos deste massacre, até mesmo em seu nome, pois “CUIPIRANGA” significa areia vermelha (CUI=areia + PIRANGA=vermelha), nome que segundo os comunitários, justifica-se pela grande quantidade de sangue derramada na areia da praia em meados de 1837, que na época abrigava cerca de 3.000 pessoas entre homens, mulheres e crianças (população superior ou igual a Vila de Santarém na década de 30 do século XIX).


Bem, é melhor pararmos por aqui!!!


Queria saber mais?? Se animou??  Sentiu vontade de conhecer um pouco mais sobre a sua história?? Sobre a história da Amazônia?? A história do Brasil??


Então não fique de fora dessa!! Venha para o III Encontro da Cabanagem, não se surpreenda se a história dos cabanos se assemelhar a sua própria história, pois o sangue deles também jorra em tuas veias – Afinal, são nossos ascendentes, haja vista que todos somos frutos de uma grande miscigenação pluriétnica.







¹ Pesquisador de História da Amazônia; Mestrando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Co-coordenador do III Encontro da Cabanagem

Endereço para acessar Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/938421408809372

sábado, 3 de novembro de 2012

PROGRAMAÇÃO DO III ENCONTRO DA CABANAGEM


Cuipiranga e Vila Amazonas, 04-06/01/2013
04/01/2013
07:30 hs – Saída do barco de Santarém para Cuipiranga, levando acadêmicos, ativistas sociais e demais participantes cidadãos(ãs).
11:00 hs – [Após chegada a Cuipiranga] Recepção e apresentação dos visitantes e moradores e abertura do Encontro, com as explicação da sua motivação: manter viva a memória da Cabanagem, a guerra que não acabou.
12:00 – Almoço
14:30 hs – Interação e brincadeiras com crianças e adolescentes no barracão.
16:00 hs – Torneio de futebol masculino e feminino.
17:30 hs – Levantação do mastro da festa
19:30 hs – Celebração religiosa na praia seguida de apresentação do Marambiré.
20:30 hs – Mostra de documentários, debates e animação cultural.

05/01/2013
06:30 hs – Café da manhã
07:00 hs – Saída da Caminhada dos Cabanos, de Cuipiranga a Vila Amazonas, (sai do lado do rio Tapajós para o rio Amazonas).
10:00 hs – Chegada e recepção em Vila Amazonas, seguida de discussão sobre o sentido da Caminhada e da luta dos cabanos hoje a proposta de criação do MUSEU ABERTO DA CABANAGEM.
12:00 hs – Almoço coletivo (servido pelos moradores no barracão comunitário)
13:00 hs – Apresentação de filmes e documentários e debates.
15:00 hs – Despedidas e volta para Cuipiranga.
19:30 hs – Ritual/celebração
20:00 hs – Apresentações culturais e Festa dançante

06/01/2012
7:00 hs – Café da manhã
8:00 hs – Homenagem aos cabanos: visita ao Cemitério de Cuipiranga, com “iluminação” e salva de fogos.
9:30 hs - Avaliação e planejamento do evento
10:30 hs – Ritual de despedida Derrubada do mastro
11:30 hs – Piracaia (almoço na praia) de despedida e banho de rio - final do encontro
16:00 hs – Saída do barco para Santarém

INFORMAÇÕES E RESERVAS DE PASSSAGEM:
Claudio Curuja (Cuipiranga) – Tel. (093)9184-8969;
Rodrigo (Santarém) - 9154-6472;  w.rodrigohistoriador@bol.com.br
Alvina Cunha - 9191-7453; alvinacunha@gmail.com
Ib Tapajós - 9145-3010; ibtapajos@hotmail.com
Carlos Jaime – cj13mandatocoletivo@gmail.com
Florêncio Vaz - 9184-4900; florencioalmeidavaz@gmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

RUMO AO III ENCONTRO DA CABANAGEM!


Caros amigos e companheiros da causa cabana,
Já estamos nos aproximando do III Encontro da Cabanagem, que acontecerá em Cuipiranga entre os dias 04 e 06 de janeiro de 2013, e estamos preparando a viagem da nossa comitiva que sai de Santarém. A previsão é reunir 50 caravanistas, como nas edições anteriores. O barco sairá na 6ª feira 04/01/2013, às 07:30 hs da manhã, e devemos estar de volta a Santarém às 19:00 hs do domingo, 06/01. Você já está convidado.
Será uma boa oportunidade para conhecer o lugar-chave da guerra da Cabanagem no baixo Amazonas e se entrosar com as famílias da comunidade. Os caravanistas ficarão hospedados nas casas dos nativos. Um dos nossos objetivos é entrar mais no mundo destes cabanos de hoje e também conhecer os rastros dos rebeldes de ontem. Faremos até a Caminhada pelos caminhos que eles tantas vezes eles percorreram. Queremos efetivar trocas políticas, culturais e afetivas com este mundo que é nosso, mas do qual sabemos muito pouco.
Aos interessados em participar, já temos os seguintes encaminhamentos:
1. A passagem no barco custará R$50,00 (estudante) e R$$100,00 (demais profissionais);
2. Precisamos de apoiadores, principalmente para cobrir os gastos com combustível e alimentos. Mas camisetas, chapéus, fogos de artifício, faixas e outros materiais serão bem vindos.
Contatos:
Claudio Curuja (Presidente da Associação de Moradores de Cuipiranga) – (093)9184-8969;
Nossa equipe em Santarém: Rodrigo 9154-6472;  w.rodrigohistoriador@bol.com.br
Alvina Cunha - 9191-7453; alvinacunha@gmail.com
Ib Tapajós - 9145-3010; ibtapajos@hotmail.com
Florêncio Vaz - 9184-4900; florencioalmeidavaz@gmail.com

"CONHECER CUIPIRANGA E SUA GENTE É UMA EXPERIÊNCIA INTELECTUAL INTRIGANTE"


[Alvina Cunha, autora do relato, está à esquerda com a menina de vermelho]
Quando recebi do professor Florêncio Vaz o convite para conhecer a comunidade de Cuipiranga [13-15/07/2012], não imaginei o quanto essa experiência seria enriquecedora e prazerosa ao ponto de reacender em mim a indescritível sensação de estar diante de um documento, que é ao mesmo tempo testemunho da nossa história. Cuipiranga, porém, não é apenas um pedaço de papel por muito tempo conservado em um arquivo, mas um retrato vivo da história da Cabanagem que a todo momento se renova, se modifica e se conserva com todas as suas nuances nos relatos da gente que ali vive e convive diariamente com a memória da Cabanagem.

A primeira sensação, porém, ao pisar na “terra vermelha” foi a estranheza de ter que viver, por dois dias, em uma realidade completamente diferente a que estou acostumada. Mas este sentimento logo foi substituído pela alegria de ser recepcionada com a mais alta cortesia por uma gente simples cujo mais valioso bem que possuem é a gentileza de fazer o mais estranho visitante se sentir em casa. Nesse aspecto não seria justo citar o nome de uma ou outra pessoa, pois todos, sem exceção, estão igualmente contemplados.

Além da calorosa receptividade, outros aspectos chamaram a minha atenção naquele lugar. A exuberante beleza natural (que dispensa qualquer comentário) foi um deles, mas os aspectos sociais - o modo de vida das pessoas e as imbricadas relações que elas tecem umas com as outras, com a natureza e com a memória da Cabanagem - foram os que mais me impressionaram: saber que ali, para aquelas pessoas, a areia é vermelha porque um dia foi manchada pelo sangue dos cabanos mortos em combate; conhecer o lugar onde seus corpos foram enterrados sob essa mesma terra; ouvir o relato daqueles que ainda hoje guardam na memória o que lhes foi contado e da mesma forma a transmitem; navegar pelos rios e caminhar por dentro da mata fazendo o exercício de imaginar como os cabanos ali se locomoviam e planejavam suas estratégias de guerra é uma experiência intelectual que transcende a matéria e supera qualquer cansaço físico.

Apesar do cansaço ter sido grande já nas primeiras horas do dia seguinte, devido à visita inesperada de vários besouros durante a noite, logo me senti reconfortada pela prazerosa conversa com uma moradora que me relatou seu sentimento de auto-identificação com o povo cabano, enquanto outras comunidades negam esta identidade por associá-la a algo pejorativo, reforçada pela idéia ainda hoje comum associada ao movimento da Cabanagem.

[Fotos: Professor e Frei Florêncio Almeida Vaz]
Assim, não me resta outra alternativa a não ser agradecer pelo convite que, se em um primeiro momento foi recebido com ingenuidade, logo foi transformado em uma experiência intelectual tão intrigante, quanto enriquecedora. Obrigada, professor Florêncio Vaz, obrigada, povo de Cuipiranga pelo presente a mim concedido de conhecê-los, mas ainda mais por terem sido tão valorosos guardiões da nossa história. Espero um dia poder me juntar a vocês na reconstrução desta memória.

Alvina Cunha (Estudante da UFOPA)